sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Madeireiros devem ser responsabilizados por danos nas infraestruturas públicas

O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, defendeu que deve ser encontrada uma forma de responsabilizar os madeireiros quando estes destroem caminhos florestais ou outras infraestruturas durante a sua actividade.

"Há muito colega a queixar-se da situação em que ficam os espaços. Nós compreendemos a actividade dos madeireiros, mas eles têm de compreender também a actividade de quem é responsável pelas infraestruturas públicas", disse aos jornalistas o também presidente da Câmara de Viseu (PSD).

Fernando Ruas falava ontem após uma reunião com os presidentes das Juntas de Freguesia do concelho de Viseu e na qual se ouviram duras críticas à actividade dos madeireiros.

O presidente da Junta de Freguesia de Côta, Joaquim Polónio, contou que, após o grande incêndio que no verão passado atingiu o concelho, há muitos madeireiros em actividade que "deixam tudo sujo" com ramagens, "estragam caminhos" ao passar com os camiões e "amolgam as protecções das estradas" ao deitar as árvores abaixo.

Exemplificou que, na estrada 323, o habitual é as valetas estarem entupidas devido às ramagens das árvores e o piso cheio de lama que é transportada do interior da mata.

Também o presidente da Junta de Freguesia de Lordosa, Carlos Correia, se mostrou indignado com a situação, questionando quem é que fica com a responsabilidade de compor os caminhos agrícolas.

Concordou que as árvores queimadas têm de ser retiradas, de forma a permitir a reflorestação, mas defendeu que "tem de haver bom senso".

Fernando Ruas considerou que tem de ser encontrada uma forma de, "não prejudicando a actividade dos madeireiros, também não perturbar a questão das infraestruturas públicas, que são altamente danificadas com esta actividade".

Contou que a ANMP já está a analisar o assunto e que vai apresentar duas propostas suas, nomeadamente o pagamento de uma caução por parte dos madeireiros e placas de limitação de peso dos camiões.

"Estas parecem-me que, se não tiveram limitação jurídica, podem ser situações que resolvam os problemas ou pelo menos que os minimizem", considerou o autarca.

A caução seria depositada na respectiva Câmara Municipal, ou eventualmente na junta de freguesia, e devolvida ao madeireiro se não tivesse provocado danos. Caso contrário, a entidade lesada utilizaria a caução para fazer a reparação.

"Acho que esta figura da caução pode resolver o problema. Esta questão é recorrente e temos que a resolver, porque provoca danos consideráveis nos orçamentos municipais", frisou.
 
In Agro Portal

Projeto SilvaPlus - promoção da biomassa no Alto Minho

O projecto SILVAPLUS pretende desenvolver uma nova cadeia de valor baseada na produção, transformação e consumo de biomassa florestal primária para fins energéticos. O projecto foi delineado de forma a privilegiar uma componente prática e operacional, através de acções focalizadas em territórios específicos (Pontevedra e Minho-Lima), desenvolvendo novas áreas de actuação, que possam posteriormente ser transferidas para outras áreas, potenciando o seu efeito demonstrativo.

Com o projecto SILVAPLUS queremos contribuir para alterar o paradigma da gestão florestal actual integrando a componente da produção e exploração de biomassa florestal e assim minimizar um constrangimento da actividade florestal que é o longo prazo de produção dos seus produtos, introduzindo um, de mais curta rotação, que é a biomassa florestal.

Por outro lado pretende-se influenciar a alteração de comportamentos de consumo energético incentivando e criando oportunidades para a utilização de combustíveis renováveis e de produção local, contribuído para optimização dos recursos e emprego local.
 
Para informação mais detalhada, visite http://www.silvaplus.com/pt/

7º Congresso Florestal Nacional


O 7º Congresso Florestal Nacional, subordinado ao tema "Florestas – Conhecimento e Inovação" vai realizar-se de 5 a 8 de Junho de 2013, em Vila Real (5 e 6) e Bragança (7 e 8). A deslocação Vila-Real-Bragança-Vila-Real é garantida pela organização a quem o solicitar no início dos trabalhos aquando da entrega da documentação.
 
A Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais (SPCF), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a Escola Superior Agrária de Bragança (ESA-IPB) são as entidades responsáveis pela organização da presente edição.
 
Para mais informações visite:

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Município investiu 480 mil euros em ações estruturais de defesa da floresta contra incêndios

No passado dia 14 de dezembro foi apresentado, em reunião da Comissão Municipal de Defesa da Floresta de Vila Nova de Cerveira, o relatório do Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios 2008-2012, destacando-se uma taxa de execução de cerca de 66% das ações estruturais previstas. Esta taxa refere-se à execução de 174,5 hectares de faixa de gestão de combustível, 357 hectares de mosaico de parcelas de gestão de combustível com recurso a fogo controlado, beneficiação (desmatação e alargamento) de 121 km de rede viária florestal, construção de 4 pontos de água e a manutenção de outros 11 pontos de água.

A par destas ações, foram intervencionados (correção de densidade e alinhamento) 28 hectares de pinhal regenerado, foram realizadas campanhas de sensibilização, ministradas cerca de 250 horas de formação aos elementos das unidades de 1ª intervenção e combate do concelho, enquanto os técnicos afectos ao Serviço Municipal da Protecção Civil – Gabinete Técnico Florestal receberam cerca de 250 horas de formação na área do fogo controlado, investigação de causas de incêndios, análise de incêndios e fogo supressão. O investimento do município para a execução das ações estruturais estabelecidas neste plano foi de cerca de 480 mil euros.

Foi também aprovado, na reunião da CMDF, o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios que vigorará no concelho pelo período de 2013 a 2017. Esta segunda geração do PMDFCI, à semelhança do seu antecessor, estabelece um conjunto de ações operacionais que visam a defesa da floresta contra incêndios, prevendo-se a beneficiação de 177,6 quilómetros de rede viária florestal, a execução de 207 hectares de faixa de gestão de combustível, a manutenção de 12 pontos de água, e a execução de 543 hectares de mosaicos de parcelas de gestão de combustível com recurso ao fogo controlado.

Para além destas ações estruturais e dando continuidade ao trabalho dos anos anteriores, está previsto um conjunto de ações imateriais, destacando-se as campanhas de sensibilização, reforço da fiscalização e vigilância, bem como o desenvolvimento de ações de formação. Destaca-se igualmente a importância da aplicação de medidas e ações concretas que incidam sobre a gestão florestal, promovendo a sua valorização económica.

A par do PMDFCI foi aprovado o Plano de Fogo Controlado para o mesmo período de vigência de 2013 a 2017.

sábado, 17 de novembro de 2012

Protecção Civil poderá passar para supradistrital

 Fonte: Correio da Manhã 
17.11.2012
Ricardo Garcia, Ana Fernandes

 O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, disse esta terça-feira que é "preciso dar um passo em frente" na reestruturação da protecção civil, que poderá passar pela substituição do actual modelo distrital de organização para um plano supradistrital.

 "É essencial, do ponto de vista operacional, uma apurada distribuição de meios e competências, o que, nesta linha, não pode deixar de levar à ponderação sobre o actual modelo distrital de organização e à sua eventual evolução para um modelo supradistrital", disse Miguel Macedo, na tomada de posse do novo presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), o major-general Manuel da Silva Couto. Actualmente, existe em cada distrito um Comando Distrital de Operações e Socorro (CDOS) que depende directamente da ANPC.

No discurso, o ministro adiantou que "é preciso dar um passo em frente" e "olhar para a especificidade das várias zonas de acção" e distribuir os meios e as competências em função dessa avaliação. O governante sustentou que o Governo quer que "este salto em frente" na organização da protecção civil se faça através de partilha de opiniões. Para Miguel Macedo, esta reestruturação tem que permitir "a racionalização de custos, modernização do sector e uma melhoria da gestão de recursos".

O ministro afirmou que esta sexta-feira começa "um novo caminho para a protecção civil", que terá que passar por um compromisso de eficiência e procura de novas respostas, sendo a reestruturação "o passo em frente" que se quer dar. Miguel Macedo anunciou também que é preciso rever o papel da Escola Nacional de Bombeiros, que deve evoluir para um sistema que "no essencial" se transforme numa "escola de formação de formadores" e que leva a formação junto dos corpos de bombeiros espalhados pelo país.

Na cerimónia, frisou ainda que vai ser dada execução ao novo regime de financiamento das corporações de bombeiros, que, pela primeira vez, olha para critérios de risco, nível de serviço prestado e tipificação dos corpos de bombeiros. Segundo o ministro, este modelo significa um reforço de mais de 10 por cento, em 2013, das verbas atribuídas às corporações de bombeiros através do Programa Permanente de Cooperação.

No final da cerimónia de tomada de posse, o ministro e o novo presidente da ANPC não prestaram declarações aos jornalistas.

O major-general Manuel da Silva Couto, que exercia funções de comandante do Comando da Administração de Recursos Internos (CARI) da GNR, substitui o major-general Arnaldo Cruz, que estava à frente da ANPC há sete anos. Arnaldo Cruz terminou esta semana funções, uma vez que chegou ao limite de idade (70 anos) para poder permanecer no cargo. Foi o ministro da Administração Interna que indicou o nome do major-general Manuel da Silva Couto para presidente da ANPC, tendo este merecido parecer favorável do Conselho Nacional de Protecção Civil.

Postado por: Emanuel de Oliveira
SMPC-GTF Vª Nª de Cerveira

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Matas e baldios poderão ser transferidos para os municípios

Fonte: Publico
22.10.2012
Ricardo Garcia, Ana Fernandes

Foto: Enric Vives-Rubio

O secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Daniel Campelo, quer mais gente na floresta. Para que o abandono não potencie os grandes incêndios.


Sempre que há um Verão mais severo, aumenta a área ardida, ao contrário das metas estabelecidas. O que está a correr mal?


O abandono rural foi muito negativo. Temos de reverter essa situação e a melhor forma é a prevenção. Para isso temos de aumentar o número de pessoas a trabalhar diariamente na floresta. Temos um programa de sapadores, com 283 equipas de cinco pessoas, e eu queria o dobro. É preciso mais gestão activa, responsabilizando mais os proprietários e dando-lhes meios para se motivarem. E há que reforçar o associativismo florestal dando consistência às ZIF [zonas de intervenção florestal].

Parte do esforço na prevenção foi transferida para as câmaras. Isso está a resultar?


Não é igual em todo o lado. Há maior consciência nos municípios sobre a importância da gestão da floresta e do território rural. É por isso que estamos a discutir a transferência de competências da administração central para as comunidades intermunicipais e uma delas é a gestão florestal. Os serviços da administração central têm a seu cargo a gestão das matas nacionais e dos baldios, que são das comunidades locais. Gostaríamos que essa gestão fosse feita na proximidade dessas comunidades. Tem havido uma redução forte das pessoas que trabalham na floresta dos serviços oficiais, de cerca de 4000 para 900 pessoas em pouco mais de 20 anos, e se estas pessoas desaparecem da floresta, outras têm de entrar.

Os fogos florestais são uma fatalidade?


Mesmo os países ricos, com uma gestão florestal musculada, têm este problema. O ordenamento florestal e a gestão activa da floresta permitem que a dimensão [dos fogos] não seja tão grande.

Houve este ano um incêndio no Algarve de dimensões catastróficas...


As condições que levaram ao maior fogo, no Algarve, foram seguramente uma conjugação adversidade temperatura, humidade e vento. Mas não podemos cruzar os braços e dizer que isso é uma fatalidade. Temos de reforçar a capacidade de resposta na prevenção e no combate. Não há outro caminho.

Tem sido muito criticado o facto de os gabinetes florestais das câmaras irem buscar dinheiro ao Fundo Florestal Permanente, tirando-o de outras acções necessárias...


Quando era presidente de Câmara, não concordei com a facilidade na constituição de gabinetes técnicos florestais municipais. A floresta não pode ser vista espartilhada. Temos vantagens em que seja pensada numa escala para além do espaço municipal. O que não quer dizer que cada município não possa ter a própria sua estratégia de reforço. O planeamento, a transposição das políticas e a activação dos mecanismos é que têm de ultrapassar o nível municipal.

Haverá alguma mudança de onde vem o dinheiro?


Estamos a discutir, temos conversado com a Associação Nacional de Municípios Portugueses para que possamos evoluir na delegação de competências. Vamos ter de ir cada vez mais neste sentido.

Uma das críticas que se fazem ao combate aos fogos é a de que vence quem grita mais alto nos comandos, geralmente o político eleito. E os técnicos calam-se.


Não vou comentar áreas que não são da minha competência.

Mas os técnicos, que têm o conhecimento, são da sua competência...


O que acho é que tem de haver cada vez maior compromisso entre as pessoas que trabalham na floresta, quer na prevenção, quer no combate. É fundamental que haja no futuro mais gente a trabalhar todo o ano na floresta, com uma experiência adquirida do território e do comportamento do fogo que lhe dará vantagens nas situações de combate.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Técnicos dos GTF's participam no Curso de Análise de Incêndios e de Fogo de Supressão

Postado por: Emanuel Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

No passado dia 25 de Setembro, no Porto, teve início o primeiro Curso de Análise de Incêndios e de Fogo de Supressão reconhecido pela Autoridade Florestal Nacional (Ref.ª n.º 308/DUDEF).
Esta acção visa dotar os formandos de conhecimentos teóricos e práticos que permitam capacitar os técnicos para uma melhor interpretação do comportamento do fogo e análise dos incêndios, apoiando a tomada de decisão do responsável pelo Comando de Operações e Socorro. Por outro lado, este Curso vem formar os técnicos participantes no uso correcto do fogo de supressão nas operações de combate: fogo táctico e contrafogo – mediante a identificação e avaliação de oportunidades, planeamento, organização e segurança.




Este Curso com uma carga horária de 63 horas, distribuídas por 9 dias de formação, é ministrado por formadores altamente experientes da empresa galega Consultoría Natutecnia S.L, designadamente:
  • Santiago Couceiro - Eng.º Florestal, Director de Natutecnía e Coordenador de Meios Aéreos da Galiza;
  • Pablo Pérez Costa - Eng.º Técn. Florestal, Técnico de Brigada Helitransportada, como Coordenador de Meios Aéreos;
  • António Candá - Eng.º Técn. Florestal, Técnico de Brigada Helitransportada, como Coordenador de Meios Aéreos e Técnico da Equipa de Prevenção de Incêndios Florestais-EPRIF.

A formação teórica conta ainda com a formadora Rosa Planelles González, Engenheira Florestal, directora da EIMFOR, SL e Docente de Defesa Florestal na Escuela Técnica de Ingenieros da Universidad Politécnica de Madrid.

Em termos gerais, nesta acção são exploradas e aprofundadas diversas temáticas relacionadas com o comportamento e extinção dos incêndios florestais: Meteorologia de Incêndios, Comportamento Extremo do Fogo, Sistema de Previsão de Campbell, Simuladores de Incêndios, Análise de Incêndios – Casos Práticos, Planificação do Fogo de Supressão, Planificação da Segurança, Gestão do Risco, Exercícios Práticos com fogo real, entre outros temas.

Em virtude de diversos factores que se prendem sobretudo com a alteração do uso dos solos e a mudança climática, os incêndios florestais tendem a aumentar a sua intensidade e capacidade destrutiva pelo que, tal como já se verifica em vários países do mundo, existe a necessidade de integrar técnicos analistas nos teatros de operações para documentar e registar o desenvolvimento de um incêndio, bem como para o importante papel de apoio ao COS na tomada de decisão nas operações de extinção.

A realização deste Curso mereceu desde logo uma elevada receptividade por parte dos técnicos dos Gabinetes Técnicos Florestais de diversos Municípios, bem como de outras entidades com funções de defesa e combate a incêndios florestais.

Nesta pioneira acção participam 17 técnicos provenientes dos GTF’s de Seia, de Felgueiras, de Santo Tirso, de Vila Nova de Cerveira, de Vimioso, de Cantanhede, de Valongo, de Oliveira do Hospital, de Águeda, de Melgaço, de Porto de Mós, de Penafiel, de Paredes de Coura, de Celorico de Basto, de Chaves e de Gondomar, bem como 5 técnicos de outras entidades e organismos.

sábado, 22 de setembro de 2012

Proposta de um Modelo para Determinação do Índice de Risco de Incêndio Florestal

Postado por: Emanuel Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira
 
Adaptação do Lowveld Fire Danger Rating System/Fire Danger Index de Laing & FDI de McArthur

O Modelo que seguidamente se apresenta é uma adaptação do modelo Fire Danger Rating System de Lowveld (LFDRS) amplamente utilizado na África do Sul.

O LFDRS da África do Sul é uma adaptação do Fire Danger Index (FDI) desenvolvido por Michael Laing no Zimbabwe (então Rodésia) em 1968 (Laing, 1978). O modelo básico utiliza as mesmas entradas que o modelo de McArthur, que são dimensionadas para produzir um modelo simples que pode determinar valores facilmente sem precisar de cálculos complexos. (McArthur 1958, 1967).

O cálculo do Burning Index (BI) usa um nomograma simples recorrendo aos valores da temperatura e da humidade relativa. Uma vez que o valor do BI foi obtido, ele é, então, ajustado para o vento pela adição de um Fator de Correcção de acordo com as condições (velocidade) de vento predominantes às 13:00 UTC (hora solar).
A disponibilidade de combustível fino é calculada por meio de um "Fator de Correção de Precipitação" que usa o valor da precipitação acumulada nas últimas 24h antecedentes para ajustar o BI.

Optei por adaptá-lo a Portugal, pelo que contei com a colaboração do colega Luis Matos (GTF de Melgaço), o qual tem vindo a recolher informação local e proceder a teste. A adaptação apenas incidiu numa pequena alteração sobre o Fator de Correcção da Precipitação e numa adaptação das Classes de Risco.
Enquanto no modelo original são atribuídos factores de correcção a valores de precipitação inferiores a 1,0 mm, no modelo adaptado consideramos atribuir o valor 1, em virtude de que pelas nossas observações a precipitação acumulada de 1 mm em 24 horas nos nossos combustíveis florestais praticamente não influi na ignição e na velocidade de propagação, bem como na intensidade. Esta influência é ainda menos marcante em combustíveis de 1h e de 10h, onde a humidade é perdida com mais facilidade, principalmente com valores tão reduzidos de precipitação. As classes de risco FDI (traduzido para IRIF) foram adaptadas à nossa meteorologia, isto é, aos nossos valores de temperatura e de humidade favoráveis à probabilidade de incêndios florestais.

Quando se pensou na adaptação deste modelo, pensou-se numa forma simples de determinação do risco de incêndio florestal à mão de qualquer combatente para a sua planificação das acções de prevenção, de modo a auxilia-lo sem grandes questões de ordem técnica ou científica, pois o que realmente interessa ao responsável por uma equipa de vigilância, 1ª intervenção ou combate, é conhecer o risco provável para as próximas horas. Igualmente, pode ser uma ferramenta muito útil para os responsáveis pelas Juntas de Freguesia, na informação do risco de incêndio à população rural, fora do Período Crítico, sobre as condições de segurança para a realização de queima de sobrantes.
A grande vantagem deste modelo está na sua simples interpretação com base numa planilha (ver link para descarga), facilitando a planificação da prevenção, pelo que face a esta vantagem tentamos adaptá-lo às condições meteorológicas do nosso território. Pode ser mais um instrumento importante para a apoiar a tomada de decisão em acções de prevenção, por qualquer pessoa com responsabilidades nestas matérias.
Apenas precisamos dos valores de uma simples estação meteorológica, referentes ao vento (km/h), à temperatura (ºC) e à humidade relativa do ar (%), bem como a precipitação acumulada (mm), caso se verifique. Para o cálculo do IRIF interessam-nos, preferencialmente, os valores registados às 13 UTC (hora solar).
Para além deste Risco de Incêndio, é conveniente ter particular atenção à direcção do vento, à hora (solar) e à exposição da encosta. Segundo as Curvas de Inflamabilidade de Campbell (CPSL) poderemos estimar o período de máxima inflamabilidade de uma dada encosta, onde um incêndio ocorrendo atingirá um pico de intensidade nessa mesma encosta, cuja mudança poderá levar a um aumento ou redução da intensidade no comportamento do fogo.

Saliento que se trata ainda de um modelo experimental, mas que até ao momento tem demonstrado alguma coerência, face aos testes levados agora a cabo pelos técnicos dos GTF’s do Alto Minho, elementos do GIPS da GNR e elementos das Corporações de Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira e de Valença. Porém, devemos continuar a fazer os testes e a validar os dados, pelo que fica aqui para descarga uma simples planilha que o auxiliará na determinação do Índice de Risco de Incêndio Florestal (IRIF).

Agradece-se pois que faça chegar os seus comentários, observações e sugestões para o e-mail: gtfcerveira@gmail.com.

O USO DESTE MODELO NÃO SUBSTITUI O RISCO DE INCÊNDIO OFICIAL USADO NO NOSSO PAÍS (FWI), PUBLICADO DIARIAMENTE PELO INSTITUTO DE METEOROLOGIA.

Vamos então a um simples exemplo explicativo:

Segundo o site da METEOPT regista para o dia 22 de Agosto, às 12 UTC, em Viana do Castelo, os seguintes valores de:

Para sabermos o Índice de Risco de Incêndio Florestal (IRIF) procedemos da seguinte forma:

1. Estimar o Factor de Correcção da velocidade do vento, km/h
Para isso basta apoiar-se na seguinte tabela:
Ou seja, com base na tabela para um vento de 21 km/h obtemos uma correcção de 15.

2. Calcular o valor do Burning Index (BI)
No quadro de alinhamento, utilize uma régua e una o valor da temperatura ao valor da humidade relativa, pelo que obterá o valor do BI - Burning Index.

Pelo que obtemos o valor de BI de 33.

3. Estimar o Factor de Correcção da Precipitação, mm/24h
Como a precipitação acumulada nas últimas 24 horas foi inferior a 1 mm, vamos proceder agora à sua correcção com o auxílio do quadro abaixo.

Em virtude da ausência de precipitação o Factor de Correcção será de 1.

Sendo assim, procedemos então ao cálculo:
Burning Index (BI): 33
Factor de Correcção da Precipitação: 1 x 33 = 33
Some o Factor Vento: 15

Índice de Risco de Incêndio Florestal (IRIF): 48

O Índice de Risco de Incêndio Florestal é ALTO para Viana do Castelo para o dia 22 de Setembro de 2012.

Aqui fica para descarga, a planilha para estimar o Índice de Risco de Incêndio Florestal (em teste).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Artigo de Opinião: O abandono florestal é causa de acidentes de combatentes!?

Postado por: Emanuel Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

Após a leitura do artigo publicado no Público online, de 18.09.2012, titulado «Bombeiros dizem que abandono florestal e clima tornam fogos “menos previsíveis”», cujas declarações e opiniões são da exclusividade de Jaime Soares, Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), pelo que discordando com a natureza das justificações relativamente aos acidentes que vitimaram mortalmente, neste verão, três combatentes, cumpre-me esclarecer algumas questões para o bem de todos os combatentes e responsáveis pelo combate.

Apesar de concordar com a situação crítica da gestão florestal pública, comunitária e privada, completamente subvalorizada, não podemos desresponsabilizarmos-nos das nossas responsabilidades como coordenadores de combate, principalmente quando temos a cargo vidas de terceiros que voluntariamente dão a sua vida por uma causa de todos. A floresta com elevada densidade e disponibilidade de combustível associada a uma meteorologia favorável a incêndios é um meio hostil que qualquer combatente de incêndios conhece e respeita.

Todo o combustível vegetal presente na floresta portuguesa, associado às monoculturas, principalmente, de pinheiro-bravo e de eucalipto, têm características altamente inflamáveis que com um extenso período de seca, temperaturas elevadas, humidade relativa baixa e vento forte, vão ser incrementadas.

O Presidente da LBP da sua larga experiência com ligação aos bombeiros, desde a sua juventude, também se deve recordar que até à década de 80 os bombeiros apoiavam o combate aos incêndios florestais, o qual era realizado por experientes equipas – as brigadas florestais - dirigidos pelos então designados mestres florestais do Corpo Nacional da Guarda Florestal da Direcção Geral das Florestas (actualmente incorporados na GNR com funções de fiscalização). O combate até então era realizado com pouco uso de água e muito trabalho de ferramenta manual e baseado na observação do comportamento do fogo. Muitas corporações de bombeiros ganharam esse conhecimento empírico e experiência junto das brigadas florestais, detendo hoje respeitáveis combatentes. A chegada das “autobombas” e o consequente uso abusivo da água, acompanhado do abandono das técnicas manuais levou à perda do conhecimento do comportamento do fogo.

A “violência dos incêndios e pela imprevisibilidade da sua progressão no terreno” está relacionada única e exclusivamente com o comportamento do fogo e a imprevisibilidade é tanto maior quanto o seu desconhecimento e interpretação. Hoje mais do que nunca, já não se admite no século XXI que incêndios florestais no Sul da Europa sejam combatidos unicamente com água, sem o devido acompanhamento técnico para documentação e análise, de modo a assessorar o COS, permitindo um combate mais eficaz, sem excesso de meios e de custos e, principalmente, reduzindo os riscos de vítimas em combate.

Se os bombeiros que foram vítimas dos incêndios florestais deste ano “não actuaram por aventureirismo, nem falta de conhecimentos”, então o que falhou? Se antes a "culpa" era da mudança do vento, hoje a "culpa" parece ser do abandono florestal e da mudança climática. Esta questão abre um conjunto de questões essenciais, tais como:

Foi estabelecido o Protocolo LACES? Todos os combatentes respeitaram as 10 Regras de Segurança e tiveram em consideração as 18 Situações de Risco? Conheciam e sabiam que trabalhavam na ZHM (Zona do Homem Morto)?
Exemplos como os do seguinte link demonstram falta de conhecimento e de interpretação do comportamento do fogo, pelo que arriscam-se vidas importantes com situações que campanha após campanha se repetem:
Incêndio em Arganil obrigou à evacuação da aldeia da Aveleira - País - Notícias - RTP

Não podemos nem devemos de julgar quem voluntariamente sacrifica a sua própria vida, mas a sociedade e principalmente, todos os combatentes têm o direito de saber a causa real e as condições em que se deu um acidente, com o fim de evitarmos a repetição de situações de risco semelhantes. A documentação, a análise de incêndio e os respectivos relatórios de acidentes associados são obrigatórios para uma melhoria da segurança de quem tanto dá.

Cabe-me como técnico, preocupado com o problema dos incêndios florestais e com a segurança dos combatentes, alertar o para o facto de que o combate aos incêndios não pode ser assumido como a opinião do Presidente da Liga quanto à causalidade dos incêndios florestais, pois é uma opinião baseada na sua estimativa pessoal, sem qualquer fonte que a suporte. Hoje importa, como no passado, mas recorrendo às novas tecnologias e técnicas, assessorar a importante tomada de decisão do responsável pelo combate, com base em dados registados no ambiente de fogo, na análise ao comportamento do fogo e no estrito cumprimento dos protocolos de segurança. Os incêndios florestais cada vez vão ser maiores e mais destrutivos, mas a perda da vida humana deve ser evitada a todo o custo.

"Não podemos evitar os riscos, mas podemos preveni-los."


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

CURSO EM ANÁLISE DE INCÊNDIOS FLORESTAIS E USO DE FOGO DE SUPRESSÃO

 Artigo de: Artur Borges - GTF de Felgueiras
Paulo Bessa - GTF de Penafiel

O Território Português, à semelhança dos restantes Países Mediterrâneos, reúne as condições necessárias para a ocorrência de Grandes Incêndios Florestais (GIF), caracterizados por grandes áreas ardidas e por um comportamento extremamente violento do fogo, e que obrigam a uma mobilização e empenhamento de meios nunca antes vistos nos teatros de operações e com custos insuportáveis para um País limitado em recursos pela crise financeira a que se assiste.
Os GIF desenvolvem comportamentos extremos fora da capacidade de extinção existente, sendo necessária a abordagem técnica de especialistas no planeamento das operações de combate.
Neste Verão foi possível constatar, mais uma vez, aquilo para o que muitos investigadores e especialistas têm vindo a alertar, e que dizia respeito aos menores períodos de retorno, recorrência e simultaneidade de GIF no território e cuja intensidade e comportamento do fogo excedem a capacidade de extinção dos meios de combate existentes.

À semelhança da realidade verificada noutros Países, existem em Portugal técnicos analistas cuja habilitação e competência se centra na análise do comportamento do fogo e na predição da sua evolução ao longo do tempo e do espaço, através da qual conseguem planear as operações de combate mais seguras, adequadas e eficazes para cada tipo de incêndio. Estes analistas de incêndios florestais possuem uma formação e experiência muito ampla, onde se inclui o estudo da meteorologia associada aos incêndios florestais, uma experiência consolidada na realização de fogo controlado assim como um extenso estudo e análise de casos reais de incêndios florestais.

A existência de um reduzido número de técnicos habilitados nesta área tem-se demonstrado insuficiente para possibilitar a existência da figura do técnico analista em incêndios florestais em todo o País, assim como se encontra impossibilitada a sua intervenção numa fase inicial do combate aos incêndios florestais, estando actualmente a sua actuação mais vocacionada para o uso do fogo supressão, designadamente através dos Grupos de Análise e Uso do Fogo.

No ano de 2005, com a definição do Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, foram criados os Gabinetes Técnicos Florestais cujas funções se centram no estudo e planeamento das mais variadas medidas com vista à Defesa da Floresta Contra Incêndios, desde a implementação de medidas preventivas até ao apoio ao combate, nos níveis municipal e supra-municipal.

O País encontra-se assim dotado de mais de 200 Gabinetes Técnicos Florestais nas Câmaras Municipais, cujos técnicos são o elemento chave na estratégia municipal e supra-municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, conhecedores do território municipal, com uma experiência consolidada em incêndios florestais e em condições de poderem vir a ser habilitados para o desempenho das funções de analistas de incêndios florestais, e a quem se deve exigir a prestação de um imprescindível apoio aos Comandantes das Operações de Socorro no que toca ao processo de tomada de decisão no cenário da ocorrência de um GIF.
Existem mais de 200 Gabinetes Técnicos Florestais cujos técnicos poderão ser habilitados como analistas de incêndios florestais e a quem se deve exigir a análise para apoio ao combate dos incêndios florestais.
Neste sentido, e procurando dar resposta à lacuna verificada, os técnicos dos Gabinetes Técnicos Florestais do Distrito do Porto, em parceria com uma empresa espanhola de referência, Consultoría Natutecnia S.L., à qual se juntaram técnicos de outros Distritos (Viana do Castelo, Braga, Aveiro, Bragança, Vila Real, Coimbra, Guarda e Leiria), irão promover um Curso de Análise de Incêndios Florestais e Uso do Fogo de Supressão, o qual decorrerá a partir do próximo dia 25 de Setembro no Porto.

Com esta formação, devidamente reconhecida pela Autoridade Florestal Nacional para a credenciação em fogo de supressão, será dado o ponto de partida para que seja generalizada, numa escala regional e mesmo nacional, a disponibilidade de técnicos analistas de incêndios florestais para apoio aos Comandantes das Operações de Socorro ao nível da análise e do planeamento da extinção dos incêndios florestais.

Especialmente dirigida para os técnicos dos Gabinetes Técnicos Florestais, e com uma duração de 63 horas, a formação incidirá com maior relevância na análise meteorológica, na utilização de simuladores de comportamento do fogo, na análise e avaliação do comportamento do fogo, no planeamento da extinção e em protocolos de segurança, estando também contempladas sessões práticas com vista ao planeamento e execução do fogo de supressão e avaliação dos seus impactos.

Neste curso irá também ser abordada a análise de GIF ocorridos no território que, juntamente com a capacitação do ponto de vista operacional dos técnicos no combate aos incêndios florestais, irá permitir uma melhor planificação das acções de prevenção estrutural a implementar ao nível municipal e supra-municipal, concretizando assim uma estratégia de Defesa da Floresta Contra Incêndios mais efectiva.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More