Post de: Emanuel de Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

QUOTA DISTRITAL PARA A META DOS 100 000 HECTARES DE ÁREA ARDIDA POR ANO (META DO PNDFCI)
A Região Norte que compreende os distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e de Vila Real registou elevados índices de área ardida, ultrapassando-se a meta então prevista no PNDFCI. Na região destaca-se, pelos resultados mais positivos, o distrito de Aveiro. Pelo contrário, o distrito de Braga destaca-se pelos resultados mais negativos, onde apenas no ano 2008 conseguiu apresentar valores abaixo do limite estipulado, no período compreendido entre e 2005 e 2011.
Pelos registos oficiais (SGIF e Relatórios da Autoridade Florestal Nacional), verificou-se que em termos gerais, quer ao nível distrital quer ao nível municipal, os anos 2007 e 2008, apresentam valores de área ardida mais reduzidos, contudo tal facto parece dever-se aos grandes incêndios de 2005 que dizimaram vastas áreas florestais, mais precisamente 140 976 hectares na Região Norte e à meteorologia menos severa registada no ano 2008.
Comparando o período de 2000 a 2006 e, com o estabelecimento dos respectivos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios que tiveram início em 2007, constata-se uma redução da taxa de área ardida, no entanto o distrito de Braga apresenta um ligeiro aumento (0,2%), por outro lado, os distritos de Aveiro e Porto apresentam reduções para metade da taxa de área ardida.
CONCLUSÕES GERAIS DA ANÁLISE
Os dados obtidos conduziram a algumas conclusões:
- A meta estabelecida de 100 000 hectares/ano e consequente quota parece constituir um limite demasiado elevado para a Região Norte.
- Confirma-se a existência de incêndios cíclicos na Região Norte, cujo intervalo de tempo entre grandes incêndios é de 3 a 5 anos.
- A 1ª Geração dos PMDFCI poderá ter contribuído para uma ligeira redução da área ardida, contudo os dados não são suficientes para apurar a eficiência das acções realizadas.
- A melhoria na 1ª intervenção, com a introdução de forças helitransportadas (GIPS e FEB) e o aumento de equipas de sapadores florestais e na organização e meios de combate (Bombeiros e ANPC) poderão ter também contribuído para a ligeira redução.
- O ano 2005 aparenta ter sido o pior ano, mas se analisarmos detalhadamente a evolução da área ardida por distrito, deparamos-nos com as seguintes situações:
- No distrito de Braga, em 2005 arderam 17934 hectares, mas em 2006 arderam 10267, em 2009 arderam 11 654 hectares e em 2010 arderam 14395 hectares.
- No distrito de Viana do Castelo, arderam em 2005, 27 070 hectares, mas em 2010 arderam 24 246 hectares.
- No distrito de Vila Real, em 2005 arderam 35 665, mas em 2009 arderam 18 050 hectares e em 2010 arderam 18 466 hectares e, em 2011, arderam 14 296 hectares.
SUGESTÕES PARA O ANO 2012
O ano hidrológico 2011/2012 é sem dúvida alguma muito mais grave quando comparado com 2004/2005, pelo que se deduz que a situação na Região Norte poderá agravar-se caso a meteorologia durante o período de verão seja favorável à ocorrência de incêndios. Para isto bastará um verão com temperaturas e humidade relativa normal e, numa situação mais grave, um verão com temperaturas acima do normal e humidade relativa do ar inferior aos valores normais para a época.
Para o ano corrente, aconselha-se por isso à monitorização dos dados meteorológicos a curto prazo (24 horas), a médio prazo (72 horas) e a longo prazo (168 horas), bem como o seguimento da acumulação de seca (índex Drought Code). A par do seguimento técnico e da informação aos meios de intervenção e combate, a região vai requerer uma vigilância mais exigente e eficiente, bem como a primeira intervenção e o trabalho de rescaldo e vigilância pós-incêndio, com especial atenção ao horário de flamabilidade dos combustíveis (do termo inglês flammability, que expressa o potencial global de comportamento do fogo ou a componente do perigo de incêndio referente à vegetação *). Posteriormente, caberá aos técnicos dos GTF’s reverter para a 2ª Geração de PMDFCI’s, com base nas “lições” aprendidas, desde 2005, um conjunto de acções e medidas operacionais e sustentáveis que venham corresponder à tipologia de incêndios que afectam a região, com principal atenção para os GIF’s que tendem a ser um problema recorrente e num intervalo de tempo cada vez mais curto.
* - P.Fernandes - UTAD
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