terça-feira, 7 de agosto de 2012

As Alterações Climáticas e o Aumento do Risco Meteorológico de Incêndio Florestal

O Estudo do CESAM e Departamento de Ambiente e Ordenamento, Universidade de Aveiro, titulado: “ As alterações climáticas: uma realidade transformada em desafio”, da autoria dos investigadores Carlos Borrego, Myriam Lopes, Isabel Ribeiro e Anabela Carvalho, esboça-nos uma realidade perturbadora. Sendo assim aproveito para destacar algumas conclusões deste estudo para o nosso país em matéria de risco de incêndio florestal.

No âmbito do projecto Scenarios Impacts and Adaptation Measures – SIAM [Santos et al., 2002], avaliaram-se os impactos das alterações climáticas em diversos domínios, nomeadamente, nas florestas, agricultura, zonas costeiras, pescas, recursos hídricos, energia e saúde humana. Assim, os diferentes modelos de simulação da evolução do clima para o período 2000-2100 prevêem para a Península Ibérica um aumento da temperatura entre os 4ºC e os 7ºC, ou seja, um aumento superior às previsões do IPCC para a temperatura média global à superfície da Terra (1,8ºC a 4ºC) [IPCC, 2007a]. Os resultados indicam também, para esta região, um decréscimo da precipitação, com maior incidência nas zonas centro e sul, e uma alteração do padrão da distribuição da precipitação mensal, com um decréscimo substancial na Primavera e um aumento no Inverno.”

No âmbito do projecto PRUDENCE – Prediction of Regional scenarios and Uncertainties for Defining EuropeaN Climate change risks and Effects [Christensen e Christensen, 2007], foram simulados cenários climáticos regionais sobre a Europa com alta resolução espacial (12 km). Para a avaliação do impacto das alterações climáticas em Portugal analisaram-se os valores diários de variáveis meteorológicas para o cenário de referência (1961-1990) e para o cenário futuro SRES (Special Report on Emissions Scenarios) -A2 (2071-2100) [Nakicenovic et al., 2000].

Em termos dos impactos, no cenário climático futuro (2071-2100) as maiores diferenças na temperatura média diária são registadas, durante o Verão, nos distritos de Bragança, Guarda e Castelo Branco com aumentos máximos na ordem dos 6ºC (Fig. 8). A precipitação regista uma diminuição em todos os distritos e em todas as estações do ano especialmente durante a Primavera [Carvalho, 2008].

As variáveis meteorológicas simuladas para ambos os cenários climáticos foram usados no cálculo das componentes do sistema Canadiano de risco de incêndio, Canadian Forest Fire Weather Index (FWI) System [van Wagner, 1987]. O sistema FWI permite avaliar o nível de risco meteorológico de uma região em relação à ocorrência de incêndios florestais.
O Verão regista os maiores aumentos absolutos em termos de risco de incêndio principalmente nos distritos do interior Norte e Sul. Maio apresenta o maior aumento, em termos relativos, e Outubro e Novembro também registam aumentos do índice FWI [Carvalho et al, 2009]. Este facto poderá conduzir a uma antecipação do início da época de fogos e a um aumento da sua extensão temporal. (…) as regiões do Alentejo, Beira Interior e Trás-os-Montes as mais afectados em termos do aumento do índice de risco de incêndio para os meses de Verão.

Mais de 14.100 fogos no primeiro semestre de 2012, a maior parte devido a negligência

 Por Agência Lusa, publicado em 6 Ago 2012

A negligência humana continua a ser a principal causa da origem de fogos florestais, segundo a GNR, que registou nos primeiros seis meses deste ano 14.102 ocorrências destes incêndios.

De acordo com dados do SEPNA - Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR, no primeiro semestre de 2012 foram registadas 14.102 ocorrências de fogos florestais, das quais 9.338 foram investigadas por esta força.

Segundo os dados disponibilizados à Lusa, a principal causa dos incêndios continua a ser a negligência humana.

Dos incêndios investigados, 5.819 devem-se a ações negligentes, como o cigarro lançado fora por apagar ou a queimada que se descontrola.

Por mão criminosa tiveram origem 1.114 dos incêndios investigados e oito foram por ação natural.

Em 2.397 casos não foi possível apurar a origem.

No primeiro semestre deste ano, a GNR identificou 321 suspeitos de incêndio florestal, dos quais apenas 16 foram detidos.

No ano passado, este grupo da Guarda registou um total de 31.161 ocorrências de fogos florestais, tendo investigado 20.998 delas.

Também no ano passado, a maior parte das ocorrências investigadas e às quais foi possível atribuir uma causa deveu-se a incúria: 8.415 fogos resultaram de conduta negligente, 4.327 foram intencionais e 116 resultaram de razões naturais.

Em 2011, a GNR identificou 430 suspeitos de provocar incêndios florestais e deteve 22.

Postado por: Emanuel Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

FWI – UMA FERRAMENTA DE APOIO À PREVENÇÃO, ANÁLISE E COMBATE AOS INCÊNDIOS FLORESTAIS

  Postado por: Emanuel Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

Há uns anos para cá ouvimos falar do Risco de Incêndio Florestal nos canais televisivos, nos jornais e na rádio, pela importância que este dado tem no estabelecimento de medidas e acções de prevenção. Seguidamente, descreve-se como o Risco Diário de Incêndio Florestal é estabelecido e como pode ser útil para quem tem funções na vigilância, no planeamento e prevenção, na análise e no combate.

O sistema Fire Weather Index (FWI) é a primeira parte do Canadian Forest Fire Danger Rating System (CFFDRS) que tem sido desenvolvido e testado desde 1968. Após vários anos de provas comprovou-se a sua eficácia e hoje é utilizado em vários países do mundo, em particular na Europa, sendo calibrado de acordo com a região. Através da utilização deste índice é possível estimar um risco de incêndio a partir do estado dos diversos combustíveis, com base nas observações de elementos meteorológicos. 


FFMC (Fine Fuel Moisture Code) - Índice de humidade dos combustíveis finos
ISI (Initial Spread Index) - Índice de propagação Inicial
DMC (Duff Moisture Code) - Índice de húmus
DC (Drought Code) - Índice de seca
BUI (Buildup Index) - Índice de combustível disponível
FWI (Fire Weather Index) - Índice Meteorológico de Risco de Incêndio

O FWI é um indicador relativo da intensidade do fogo, determinado pelas condições meteorológicas e pelo estado de secura da vegetação, incorporando os dados meteorológicos locais de temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento a 10 m de altura e a quantidade de precipitação acumulada das últimas 24 horas, observados às 12 UTC (13 horas locais).


A intensidade do fogo entende-se como a libertação de energia por unidade de comprimento da frente de chamas, que se expressa em kW/m, e se manifesta visualmente pelo comprimento da chama. A intensidade do fogo condiciona a capacidade do controlo e extinção, pelo que a classificação de perigo meteorológico de incêndio baseada no FWI reflecte o grau de dificuldade das operações de combate aos incêndios florestais.

FFMC – Este índice, classifica os combustíveis finos mortos, de secagem rápida, quanto ao seu conteúdo em humidade. Corresponde assim ao grau de inflamabilidade destes combustíveis, que se encontram à superfície do solo. O conteúdo de humidade destes combustíveis às 12 UTC de um determinado dia, depende do conteúdo de humidade à mesma hora, do dia anterior, da precipitação (mm) ocorrida em 24 horas (12-12 UTC) e da temperatura (ºC) e da humidade relativa do ar (%) às 12 UTC do próprio dia. A intensidade do vento influência apenas na velocidade de secagem dos combustíveis.


ISI – O Índice de Propagação Inicial do fogo, depende do sub-índice FFMC e da intensidade do vento (Km/h) às 12 UTC.
BUI – O Índice de Combustível Disponível, é um factor de avaliação dos vegetais que podem alimentar um fogo (combustíveis "pesados" que se encontram no solo) e é calculado a partir de dois dos sub-índices: DMC e DC.
DMC – Este índice traduz o conteúdo de humidade do húmus e materiais lenhosos de tamanho médio que se encontram abaixo da superfície do solo até cerca de 8 cm. O índice de húmus é calculado a partir da precipitação ocorrida em 24 horas (12-12 UTC), da temperatura e humidade relativa do ar às 12 UTC e do índice de húmus da véspera.

DC – O Índice de Seca é um bom indicador dos efeitos da seca sazonal nos combustíveis florestais (húmus e materiais lenhosos de maiores dimensões), que se encontram abaixo da superfície do solo, entre 8 e 20 cm de profundidade. O índice de seca é obtido a partir da precipitação ocorrida em 24 horas, da temperatura as 12 UTC e do índice de seca verificado na véspera.





Referências:

Instituto Português de Meteorologia
Automatix
CIFAP_UTAD

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Desempenho do sistema de DFCI em Portugal Continental nos períodos de 2001-2005 e 2006-2008

 Paulo M. Fernandes
Departamento Florestal, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

O autor deste estudo revela-nos dados interessantes sobre os incêndios florestais que afectaram de forma catastrófica grande parte do território português entre 2001 e 2005 comparando a situação ao período de 2006 a 2008. Paulo Fernandes, professor e investigador na UTAD, apresenta-nos um olhar crítico ao dispositivo de prevenção e combate que caracterizou aquele período. Hoje dadas as circunstâncias actuais e o encerramento de ciclos de grandes incêndios florestais, este post literalmente transcrito da conclusão do estudo então publicado ( em 2008), assume-se de vital importância para todos aqueles que procuram algumas respostas ao actual problema dos grandes incêndios florestais. 

A principal limitação da análise efectuada prende-se com a sua resolução espacial e temporal. A enorme extensão do território que ardeu de 2001 a 2005, mais de 1.2 milhões de hectares, terá forçosamente limitado a extensão dos fogos ocorridos em 2006-2008 em várias regiões do país. Uma terceira limitação residirá na capacidade do sistema FWI para representar adequadamente o potencial de comportamento do fogo em ambientes meteorológicos extremos, nomeadamente em situações de forte instabilidade atmosférica após um período de secura bastante prolongado. Em formações dominadas por vegetação arbustiva o FWI sobrestima o potencial de fogo na Primavera, mas é possível que o subestime nos Verões mais secos.

As análises efectuadas permitem concluir que o desempenho das actividades de prevenção de ignições, detecção/1ª intervenção e ataque inicial ao fogo evoluiu favoravelmente de 2001-2005 para 2006-2008.

É especialmente relevante constatar a diminuição da fracção de fogos que excedem 100 ha de tamanho, uma vez que são responsáveis pelos impactes mais severos e por grande parte da área ardida total. Em 2006-2008 os grandes incêndios corresponderam a 65,5% da superfície queimada total, face a 84,3% em 2001-2005. Não há porém evidências de melhorias nos resultados do combate ampliado a incêndios, o que significa que não é de excluir uma repetição dos anos críticos de 2003 e 2005.

A reforma do sistema DFCI encetada após 2003 incidiu essencialmente em alterações com repercussões na prevenção de ignições e nas actividades de pré-supressão e supressão do fogo. Os resultados alcançados reflectem este esforço − e uma visão essencialmente de protecção civil, que a municipalização do planeamento da DFCI reforça − mas não são sustentáveis a médio e longo prazo sem um empenho comparável em medidas de efectiva protecção florestal. Adicionalmente, não é crível que o actual (e economicamente irracional) modelo de combate a incêndios, onde a força se substitui ao conhecimento técnico, seja compatível com ganhos de efectividade na supressão de grandes incêndios.

Leia o Artigo Completo AQUI: Avaliação do Desempenho do Ataque Ampliado a Incêndios Florestais
Saiba mais AQUI: Laboratório de Fogos Florestais

Postado por: Emanuel Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

domingo, 29 de julho de 2012

Estará a fechar-se um ciclo de Grandes Incêndios Florestais? 2005 Repete-se!?

 Postado por: Emanuel Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

Em 19 de Março deste ano, sob o post titulado «O Ano Hidrológico 2011/2012 e os Incêndios Florestais de 2012. O “Inferno” pode repetir-se!?» tive a oportunidade de expor uma preocupação geral pela semelhança dos anos hidrológicos 2004/2005 com 2011/2012, no que respeita à evolução do número de ocorrências e da área ardida, à evolução meteorológica e os seus índices de seca e de risco diário de incêndio.

Face à situação dos incêndios florestais de inverno que afectaram o território do Alto Minho, afirmei naquele artigo que o ano 2012 parecia seguir a tendência de 2005, ao nível dos incêndios florestais. Hoje, passados quatro meses desde a publicação desse post e recorrendo a dados ainda provisórios (2012) sobre as ocorrências de incêndios florestais, posso afirmar que a preocupante tendência mantém-se, pois em 2005 até ao dia 31 de julho, o país sofreu 15 668 fogachos e 4 452 incêndios e teve uma área ardida de cerca de 92 378 hectares; em 2012 até ao dia 27 de julho, Portugal Continental sofreu 10 799 fogachos e 3 130 incêndios florestais, obtendo uma área ardida de cerca 44 802 hectares, à qual ainda devemos somar cerca de 26 500 hectares do GIF de Tavira, o que dá um total aproximado de 71 248 hectares.

À medida que o tempo passa e em virtude da carga de biomassa florestal cada vez mais disponível, os componentes do índice diários de risco de incêndio vão igualmente agravando-se devido sobretudo à ausência de precipitação e à situação de seca meteorológica que tem caracterizado este ano hidrológico. Segundo, o último relatório publicado pelo Instituto de Meteorologia no mês de junho, “a situação de seca meteorológica mantém-se, verificando-se no final de junho um agravamento em relação ao final de maio em particular nas regiões do Centro e Sul. Assim, em 30 de junho 2012, 56% do território encontra-se em seca extrema, 24% do território em seca severa, 16% em seca moderada e 4% em seca fraca.

Esta situação conduziu a diversos incêndios que fustigaram a região Norte durante um inverno anormalmente seco e actualmente tem vindo a proporcionar um aumento do número de ocorrências e um incremento do número de grandes incêndios florestais nas regiões Centro e Sul. Contudo, devemos de recordar que principalmente durante os meses de Abril e Maio, a região Norte beneficiou de valores consideráveis de precipitação que proporcionaram um aumento da carga de biomassa florestal. A reduzida ou nula precipitação registada nos últimos dois meses, tem conduzido a um aumento da velocidade de dessecação da elevada carga de combustíveis florestais, o que se traduz num aumento da sua disponibilidade e susceptibilidade ao fogo. Convém recordar que a região Norte é aquela que anualmente regista o maior número de incêndios e de área ardida e neste Verão praticamente, tem sido poupada do fogo na generalidade dos distritos, quando comparado com anos anteriores.

Mantendo-se uma situação meteorológica caracterizada pela condição de precipitação reduzida ou nula e acompanhada de um aumento dos componentes que constituem o índice meteorológico de risco de incêndio do sistema FWI (Fire Weather Index), a região Norte pode ser o próximo território afectado pelo flagelo dos incêndios florestais, com particular preocupação para a incidência dos incêndios de alta intensidade e elevada severidade, dada a caracterização do período de recorrência e o modelo de combustível florestal presente.

Confirmando-se o agravamento ou manutenção da situação meteorológica, seria aconselhável a deslocalização preventiva de alguns meios de combate para a região Norte, os quais deveriam ficar estacionados estrategicamente, reforçando o dispositivo regional de combate aos incêndios florestais. Por outro lado, seria importante um incremento dos recursos de vigilância, fiscalização e dissuasão. Tais medidas, permitem uma resposta mais célere em caso de ocorrência de um GIF, menos desgaste dos meios humanos e dos recursos materiais, uma maior contenção das despesas com o combate e uma maior segurança dos combatentes.

sábado, 28 de julho de 2012

INCÊNDIOS FLORESTAIS. NÃO PODEMOS BAIXAR A GUARDA

Artigo de Informe Incendios Forestales 2011

O artigo (incluído no Relatório de Agosto de 2011) que seguidamente se transcreve esboça a preocupação da Greenpeace Espanha sobre os incêndios florestais, abordando de forma tecnicamente sustentada a relação do actual modelo de gestão florestal, com o modelo de extinção e a mudança climática. Vale a pena ler o artigo que foi traduzido para português dada a importância pela similitude com a realidade florestal portuguesa. Sendo um artigo que não só nos deve deixar a pensar, mas antes que nos sirva como técnicos, agentes ou políticos com competências em matéria florestal a tomarmos previamente atitudes. Fica aqui o ALERTA!

A redução do número de incêndios e uma menor superfície florestal afectada pelo fogo nos últimos anos é, sem dúvida alguma, uma óptima notícia.

Graças aos avanços tecnológicos, a uma maior coordenação e aos esforços humanos e financeiros temos ganho em rapidez na detecção e chegada ao foco de incêndio, assim como nos meios materiais disponíveis para a extinção dos incêndios florestais. Na maioria dos incêndios florestais, as equipas de combate estão melhor preparadas para apagá-los em menor tempo e de melhor forma. Neste cenário geral há que fazer uma excepção no caso dos incêndios de alta intensidade (produzidos em condições meteorológicas extremas), ingovernáveis por natureza, os quais cada vez mais constituem uma percentagem maior da superfície que se queima anualmente.

Após décadas de trabalho e de campanhas de sensibilização da parte da administração pública, meios de comunicação e a acção de diversas colectividades, é perceptível uma maior sensibilidade da cidadania para este problema, uma maior cultura de segurança no trabalho florestal e agrícola, protocolos de actuação em condições meteorológicas extremas e um comportamento mais responsável das comunidades historicamente implicadas na origem dos incêndios florestais. Ainda que todavia fica muito por fazer, não há dúvida alguma de que a sociedade avança na direcção correcta.

Tanto as alterações legislativas (Lei do Solo, Lei da Floresta, leis florestais das autonomias, etc.) como a reforma do Código Penal em 1995 tem vindo a fechar as portas aos incêndios motivados por alterações do uso do solo e outros interesses. A perseguição do delito de incêndio florestal, especialmente a partir da criação da “Fiscalía Coordinadora de Medio Ambiente y Urbanismo” (organismo espanhol para a fiscalização para delitos ambientais e urbanos) tem sido fundamental. O trabalho das equipas de investigação tem melhorado muito o conhecimento sobre as causas dos incêndios florestais e a actuação das entidades fiscais do Meio Ambiente está a conseguir dissuadir os responsáveis dos incêndios florestais por via coerciva, mas também é de louvar a sua tarefa na prevenção dos mesmos.

A “temperatura social” tem diminuído e os inquéritos de opinião reflectem que os cidadãos colocam num plano secundário os incêndios florestais, quando se lhes questiona pelos problemas ambientais que afectam mais os espanhóis. Isto ocorre inclusive após o alarme social produzido em alguns grandes incêndios ou depois de ondas incendiárias nos últimos anos. O certo é que o problema dos incêndios florestais continua a estar na memória dos cidadãos, mas não com a mesma intensidade.

A crise económica e os cortes orçamentais têm começado a afectar as rúbricas destinadas à prevenção e extinção de incêndios e ainda pior, devido à descida do número de incêndios e uma menor percepção social do problema, os orçamentos destinados à gestão florestal e ao combate aos incêndios poderá ainda, sofrer maiores cortes nos próximos anos devido à crise.

A sociedade espanhola e, com ela, a classe política, poderia pensar que os incêndios florestais já não são um problema sério. Contudo, estamo-nos a enganar!

Os cientistas e investigadores em mudança climática têm alertado sobre o aumento das temperaturas médias e da seca do solo, o maior risco de ondas de calor e de períodos de escassez de água, uma maior dessecação da vegetação e, portanto, um aumento da flamabilidade da vegetação. A mudança climática soma-se a uma situação estrutural da floresta espanhola, caracterizada pelo aumento da superfície florestal fruto do abandono do meio rural e dos aproveitamentos florestais, o que por sua vez produz um aumento das massas florestais jovens, instáveis e com pouca ou nula gestão.

Esta situação tem levado a alguns técnicos a levantar a voz de alarme e de alerta sobre aquilo a que eles denominam como o “paradoxo da extinção”. Segundo este conceito, entramos numa espiral, na qual, fruto do imperante predomínio da extinção, criou-se uma paisagem com mais combustível que conduz a incêndios mais intensos. O modelo de extinção total e o facto de se considerar o fogo como algo absolutamente negativo, leva-nos a que quando este se produz (seja qual for a causa) conduz-nos a um tipo de incêndio florestal mais virulento, incontrolável e destruidor.

De modo paradoxo, a redução de incêndios florestais frequentes de baixa e média intensidade promove a proliferação de incêndios de alta intensidade que são menos frequentes mas mais destrutivos.

Alguns especialistas que têm analisado o comportamento do fogo em ecossistemas similares em outras latitudes, alertam sobre a redução deste tipo de perturbações naturais como elementos de renovação dos ecossistemas mediterrâneos. Assim, ainda que o número de incêndios é 15 vezes superior ao regime que existiria naturalmente de incêndios florestais, a superfície que deveria de arder é muito inferior ao regime natural.

Estes especialistas apontam que, dada a acumulação de biomassa num contexto de êxito na extinção de incêndios (novamente o “paradoxo da extinção”), mais cedo ou mais tarde enfrentaremos episódios catastróficos que superarão todos os dispositivos de extinção e gerarão uma situação de autêntica emergência nacional.

O modelo actual coloca-nos numa situação de incêndios latentes ou potenciais de grande intensidade numa parte importante dos espaços florestais, de uma recorrência ainda desconhecida, mas segura, se não se alterarem as actuais estruturas de combustível florestal. Além disto, se se reduzirem os orçamentos destinados à gestão florestal, à prevenção e ao combate aos incêndios, estamos literalmente alimentando o DESASTRE.

Perante esta situação, a Greenpeace adverte que não podemos baixar a guarda ainda que estejamos a viver alguns anos de fôlego. Os incêndios florestais continuam a ser um dos principais problemas ambientais de Espanha.

Greenpeace propõe o reforçar aqueles aspectos encaminhados a utilizar o Código Penal como ferramenta de dissuasão e de prevenção dos incêndios florestais, assim como abordar os grandes desafios derivados da realidade florestal espanhola, onde aos problemas estruturais do meio florestal espanhol somam-se os efeitos da mudança climática. A planificação florestal deve incorporar um conjunto de cenários futuros que contemplem as mudanças previstas nas comunidades florestais devido ao incremento das temperaturas e as dinâmicas da vegetação como consequência do fogo, assim como os riscos derivados do fogo sob cenários de perigosidade crescente.

Há que rever o modelo vigente do combate aos incêndios e evoluir para uma gestão global do combustível, potenciar a actividade silvícola, o aproveitamento energético da biomassa florestal, o fomento do pastoreio e onde o fogo controlado ou queima prescrita e a gestão de incêndios de baixa intensidade podem ser mais uma alternativa na hora de reduzir a carga de biomassa florestal.

Finalmente e como vêm assinalando diversos agentes do sector florestal e diversas entidades associativas, é necessário dar uma maior relevância ao meio florestal dentro da economia espanhola e converter o sector florestal num sector estratégico dentro de um novo modelo económico que reúna a criação de emprego, o reequilíbrio territorial, geração de riqueza e a conservação da natureza.

Saiba mais aqui: Greenpeace Espanha

Traduzido por: Emanuel de Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Informação Meteorológica de Incêndios

Postado por: Emanuel de Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

À semelhança do trabalho desenvolvido na vizinha Espanha, com especial destaque para a UNAP do Centro Operativo Regional de Lucha Contra Incendios Forestales da Dirección General de Montes y Espacios Naturales da Junta de Castilla La Mancha, o Serviço Municipal de Protecção Civil de Vila Nova de Cerveira considerou a importância de divulgar a situação meteorológica relacionada com os incêndios florestais, seguindo um modelo semelhante.

Tal como se procedeu com a informação de alertas por e-mail e sms, em que o SMPC de Vª Nª de Cerveira já leva a cabo há cerca de 5 anos, constitui apenas mais uma forma de manter todos os responsáveis e actuantes na planificação, na prevenção e no combate, informados sobre as condições meteorológicas que poderão afectar os incêndios florestais.
Não se trata de uma informação diária, mas para períodos de 72 horas, e que estará disponível durante a fase denominada de Período Crítico.

Espera-se que seja mais uma ferramenta disponível para todos aqueles que se encontram envolvidos no combate aos incêndios florestais no território do Alto Minho.
Sendo assim, a partir de agora também ficará esta informação disponibilizada via blog, bastando proceder a um clique no menu lateral "METEOROLOGIA DE INCÊNDIO".

NOTA ESPECIAL:

Igualmente, após consulta com técnicos dos demais GTF's do distrito e, à semelhança da experiência da Junta de Castilla la Mancha, com o apoio e colaboração dos técnicos e combatentes, pretende-se colocar uma nota técnica referente às ocorrências no território do Alto Minho (incêndios florestais com mais de 1 ha). Para colaborar nesta acção, basta que nos façam chegar uma ou duas fotos do incêndio, onde se observe a coluna de fumo e altura e comprimento de chama, bem como (caso seja possível) uma sucinta informação referente ao tipo de combustível (altura e tipo de matos, tipo e idade do povoamento), hora de alerta e área estimada. Esta informação será relacionada com a meteorologia local.

Este trabalho será útil para a tipificação dos incêndios florestais da nossa região, pelo que gostariamos de contar com a colaboração de todos! Os GTF's do Alto Minho Agradecem!

A Informação deverá ser remetida para: gtfs.altominho@gmail.com.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Inauguração da Obra de Requalificação do Centro de Meios Aéreos (CMA) de Arcos de Valdevez

Postado por: Alexandra Nogueira
SMPC/GTF de Arcos de Valdevez
 

No âmbito das Comemorações do dia do concelho de Arcos de Valdevez, dia 11 de Julho inaugurar-se-á a obra de requalificação do Centro de Meios Aéreos (CMA) de Arcos de Valdevez, na presença do Exmo. Sr. Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna, Eng.º Juvenal Peneda.
A obra de requalificação do CMA corresponde a uma edificação complementar à actualmente existente, para alojamento dos militares que constituem a o Grupo de Intervenção, Protecção e Socorro – GIPS, pertencentes à GNR, constituído por um efectivo de 35 militares.

O projecto de requalificação foi previamente estabelecido e dimensionado, tendo por base uma análise antecipada de necessidades. Estabeleceu-se uma solução funcional que passa pela criação de um piso sobrelevado de alojamento e por uma zona térrea de entrada e abrigo de viaturas.
A beneficiação do CMA é fundamental, visto que permite manter e potenciar o grau de prontidão do GIPS, contribuindo desta forma para diminuir as assimetrias e debilidades existentes no distrito no que concerne ao número e âmbito dos agentes de protecção civil.

A construção de um edifício de suporte logístico permitirá a concentração de meios humanos e materiais, que actualmente estão dispersos, num só local possibilitando desta forma uma resposta pronta, eficaz e diversificada. Facilitará também a criação e a implementação de algumas especialidades actualmente existentes no GIPS, como sejam a Busca e Resgate em Montanha, a Busca e Resgate em estruturas Colapsadas, etc. 
Vista parcial da obra de requalificação do Centro de Meios Áereos de Arcos de Valdevez

Este CMA poderá também funcionar como plataforma de apoio logístico, quer para os meios aéreos a operar no distrito, quer para as equipas de 1ª intervenção terrestre que venham em reforço para o distrito. Em termos operacionais poderá funcionar como um centro de operações de comando e controlo distrital destacado e/ou base permanente de meios aéreos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Eduardo Rojas: “Para salvar a floresta dos incêndios, há que geri-la”

Artigo de Antonio Cerrillo
Barcelona


Eduardo Rojas, subdirector geral da FAO e responsável pelo seu departamento florestal, é um grande conhecedor dos incêndios florestais e da gestão florestal. Nesta entrevista, pede que os serviços que a floresta oferece sejam remunerados pela sociedade.


Quais as reflexões que lhe vêm à cabeça a partir destes incêndios em Valencia?

Ainda que evidentemente prematuro saber o alcance dos danos, tratam-se dos incêndios mais graves ocorridos na Comunidade Valenciana e na faixa mediterrânea espanhola desde 1994. Os incêndios florestais são um elemento estrutural do clima mediterrâneo pelo que a sociedade até agora tem respondido de forma bastante limitada. Apesar da crença popular de que cada dia existe menos floresta – algo certo em outras regiões do Planeta – a virulência destes incêndios demonstra justamente o contrário. É a consequência da expansão da massa florestal que explica esta situação com os factores meteorológicos adversos.

Porque têm sido tão virulentos?

As condições meteorológicas dos dias anteriores foram muito desfavoráveis, especialmente porque se viram reforçadas por uma temporada precedente muito seca e com várias ondas de calor extremo nos meses anteriores.

Quais as causas estruturais que o justificam?

A Comunidade Valenciana sofre uma forte dicotomia entre uma pequena fracção do território que acumula praticamente a totalidade da população, da actividade económica e do investimento público e privado e uma maior parte do território que perdeu em grande medida o seu sentido original, pelo seu vínculo à produção de alimentos, matérias-primas e energia. Agora passou a fornecer serviços ambientais vitais (como água, protecção do solo, biodiversidade, mitigação da mudança climática ou paisagem) mas pelo seu custo ninguém se responsabiliza.

O que tem falhado?

Todavia é prematuro responder a isso. No entanto, existe um amplo consenso em que as politicas meramente reactivas, baseadas num investimento desproporcional na extinção, face à prevenção, num sentido amplo esgotaram o seu percurso. Um dos principais efeitos, perversos, é o denominado paradoxo da extinção.

O que é?

Como cada dia somos capazes de extinguir até 99% dos incêndios nas primeiras horas, estamos a acumular um risco enorme enquanto por condições meteorológicas extremas um incêndio se escape. Por isso, torna-se necessário dispor de uma segunda estratégia de ataque ao fogo, no caso de que este se torne catastrófico. Esta estratégia tem que ser diferente da prévia, dado que a água transportada por terra ou ar, além do seu elevado custo nunca poderá fazer frente a um incêndio de grandes proporções. Técnicas ancestrais como os contrafogos – preferencialmente nocturnos – apoiados em linhas de defesa bem desenhadas e uma previsão meteorológica afinada, são uma cirurgia capaz de evitar o pior cenário. Isto requer, evidentemente, pessoal técnico altamente qualificado e uma considerável determinação.

Como Seria uma boa gestão da floresta ou território para evitá-los?

Do mesmo modo que se evoluiu da política de sanidade à saúde, deve priorizar-se também aqui uma politica proactiva. A floresta mediterrânica tem sido gerida durante milénios e deve seguir sendo no sentido de eliminar o excesso de biomassa que incrementa o risco de incêndio. A tendência para o uso de madeira como combustível é extremamente oportuna. Ao mesmo tempo, é necessário assegurar fluxos económicos que compensem os serviços ambientais que gratuitamente provêm da floresta. Finalmente, requer-se um ordenamento do território que evite continuidades horizontais de massa florestal através de mosaicos agrícolas estrategicamente situados, com função de corta-fogos, mas muito mais sugestivos e eficientes. A iminente reforma da PAC, especialmente as medidas de desenvolvimento rural, têm uma considerável potencialidade para abordar estes desafios.

Destinaram-se poucos recursos à extinção, até que ponto têm incidindo os cortes na extinção?

Os recursos destinados à extinção têm sido os últimos a ser atingidos pela crise. Contudo não existem meios suficientes para proteger todas as instalações, aglomerados, povoações, etc. Nos locais com problemas estruturais de incêndios torna-se necessário dispor de mecanismos de autodefesa em todas as zonas de risco de incêndio florestal, como por exemplo através de planos de autodefesa de aglomerados. É algo que devemos de acostumar-nos tal como acontece com a inspecção dos elevadores nos prédios.

Traduzido por: Emanuel de Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fase mais crítica dos fogos arranca sem carta das zonas mais vulneráveis

O período mais crítico dos fogos, a fase Charlie, arranca hoje sem que tenha sido feita a carta anual de risco estrutural dos incêndios florestais, que permitia actualizar as zonas mais vulneráveis às chamas no Verão e pré-posicionar os meios de combate de acordo com o nível de risco atribuído a cada área.




Até 15 de Junho arderam mais de 34 mil hectares, o valor mais alto da última década (Foto: Adriano Miranda)

Entre 1995 e 2010 foi feita anualmente essa carta de risco, mas segundo, José Miguel Cardoso Pereira, que foi o responsável pelo projecto no Instituto Superior de Agronomia, por dificuldades financeiras a mesma não é feita há dois anos.
Evitando falar da carta de risco, a Autoridade Nacional de Protecção Civil desvaloriza a questão e diz que anualmente convida todos os agentes de protecção civil a actualizar toda a informação que lhe compete, incluindo os anexos respeitantes à perigosidade de incêndio florestal." A susceptibilidade aos incêndios e a perigosidade não são, na realidade portuguesa, aspectos de alteração rápida e/ou substancial, pelo que continuamos a dispor de informação histórica válida para definir os locais onde o pré-posicionamento de meios se mostra mais necessário, sem prejuízo para a relevância que seguramente tem a actualização continuada da cartografia de áreas ardidas e consequente cartografia de perigosidade de incêndio florestal que a Autoridade Florestal Nacional promove", argumenta.

Este ano já arderam até ao passado dia 15, segundo os últimos dados da Autoridade Florestal Nacional, mais de 34 mil hectares, o valor mais alto da última década. E quatro vezes superior à média dos últimos dez anos no mesmo período.

"É uma pena deixar de se fazer a carta de risco porque numa altura em que há pouco dinheiro o melhor investimento que poderíamos fazer era em informação", acredita José Miguel Cardoso Pereira. Para fazer a carta eram cruzados três tipos de dados, que dependem da realização da cartografia das áreas ardidas que não é feita há dois anos: a incidência do fogo em cada área nos últimos 30 anos, o número de anos que uma zona não ardia e o grau de verdura/secura da vegetação.

António Salgueiro, engenheiro florestal e que coordenou durante vários anos o Grupo de Análise e Uso do Fogo (GAUF), realça a importância da carta que permitia localizar as zonas com maior probabilidade e risco de arder. "Essa carta foi um dos elementos que utilizámos para definir as rotas da monitorização aérea dos fogos, que também acabou há dois anos", lamenta Salgueiro.

Também os GAUF sofreram uma mudança radical de funcionamento, tendo-se reduzido o número de equipas e também alterado a sua composição, que privilegiava técnicos florestais especializados no combate aos grandes incêndios com o uso do fogo, vulgarmente conhecido como contrafogo. Talvez, por isso, o concurso público lançado para aquisição deste serviço em Maio tenha ficado ficou deserto. "O actual modelo não é eficaz, mas serve para dizer que se mantém os GAUF", sublinha Salgueiro.
Com o concurso falhado, o ministério de Assunção Cristas optou então, por contactar individualmente todos os técnicos GAUF credenciados em fogo de supressão, tendo em paralelo iniciado o processo de pedido de autorização do Ministério das Finanças, para celebração de contratos de prestação de serviços. "Na presente data, foi identificado um conjunto de técnicos que poderão ser contratualizados", diz o ministério numa nota, deixando implícito que a contratação ainda não é certa.

Sobre o Verão, António Salgueiro não quer fazer prognósticos. "Infelizmente o que acontecer vai depender quase totalmente da meteorologia", acredita. "Apesar da seca que assistimos no início do ano, as chuvas que caíram desde Abril no Centro e no Norte tornaram a situação muito mais tranquila", nota. E acrescenta: "No Sul o nível de seca é maior, mas habitualmente temos muito menos ocorrências." Mas com temperaturas altas, níveis de humidade baixos e ventos de leste o caldo pode entornar.

Os incêndios florestais de Fevereiro e Março, que concentram quase 95% do total da área ardida até 15 de Junho, podem servir de tampão a alguns fogos, mas esse efeito será diminuto. "Quando fazemos o fogo controlado fazemos queimas pouco intensas e em locais estratégicos, o que não aconteceu com estes fogos", sustenta António Salgueiro.

Francisco Rego, professor universitário e ex-director-geral das Florestas, garante que apesar da seca o nível de risco de incêndio não é muito diferente dos outros Verões. "Com base em estudos científicos sabemos que o período de seca neste Inverno já prescreveu porque choveu entretanto e o "computador" volta ao zero", avalia Francisco Rego. O investigador mostra-se preocupado com o que chama um desinvestimento em certas áreas do combate. "A partir de 2003 e 2005 houve uma aprendizagem muito grande no sentido da profissionalização dos elementos de combate e, por isso, uma melhoria na sua eficácia, através, por exemplo, da criação dos GAUF", avalia. E continua: "Mas entretanto pôs-se de parte o conhecimento adquirido por esse grupo que não tem substituto fácil e desvalorizou-se o Grupo de Intervenção Protecção e Socorro da GNR e os Canarinhos."


FONTE: PÚBLICO

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