terça-feira, 27 de março de 2012

Na Mata da Albergaria Incêndio lavra em zona sensível do Parque Nacional da Peneda-Gerês

Fonte: Público
 27.03.2012 - 16:50 Por Marisa Soares

Um incêndio deflagrou nesta terça-feira ao início da tarde numa zona próxima da Mata da Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, num local de difícil acesso.
"É uma zona extremamente inclinada, com muita pedra e muita serra, onde a movimentação de meios terrestres é muito complicada", disse o comandante Hersílio Campos, do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Braga.
De acordo com a página na Internet da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), o alerta para o incêndio, que lavra em Bouça de Mó, concelho de Terras de Bouro, foi dado às 15h26. No local estão 33 elementos operacionais, apoiados por oito veículos e dois helicópteros.

"Quando o fogo foi detectado já tinha alguma dimensão porque já estaria a lavrar há tempo. O ataque inicial foi prejudicado por isso, mas conhecendo a zona e o risco foi logo pedido um meio aéreo para ajudar a conter as chamas", afirmou o comandante Hersílio Campos.

Segundo a mesma fonte, às 17h estavam em curso 20 incêndios no distrito de Braga. Questionado sobre as eventuais causas para este número elevado de ocorrências, num dia em que se estima que os termómetros cheguem aos 27 graus, o comandante limitou-se a dizer que "não são as condições atmosféricas que fazem os incêndios".

No local estão os Bombeiros Voluntários de Terras de Bouro, que tiveram de desmobilizar os meios de outro incêndio que estava já em fase de rescaldo para este que lavra no parque nacional.

Fonte do CDOS disse à Lusa que as chamas estão a consumir uma zona sensível constituída por carvalhos seculares, mas o comandante Hersílio Campos disse desconhecer o tipo de vegetação afectada. "É uma zona de parque nacional e por isso toda ela é sensível por esse facto", referiu.

O lugar de Bouça da Mó fica perto da Mata da Albergaria, que está classificada pelo Conselho da Europa como Reserva Biogenética do Continente Europeu. É um dos mais importantes bosques do parque nacional, constituído por um carvalhal secular que inclui espécies características da fauna e da flora do Gerês.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Em 40 anos duplicaram os desastres naturais



A frequência de desastres naturais anuais quadruplicou no mundo entre a década de 1970 e 2010, indica uma nota do Instituto de Meteorologia para assinalar, esta sexta-feira, o Dia Mundial da Meteorologia. 



As menos de 100 ocorrências por ano dispararam para mais de 450 em quatro décadas, enquanto os prejuízos subiram de 7,6 mil milhões de euros para mais de 60 mil milhões em cada ano, em todo o mundo, ainda de acordo com os dados do IM.

Em 2005, quando o furacão "Katrina" atingiu a costa Oriental dos Estados Unidos, os prejuízos ultrapassam os 160 mil milhões de euros.

Os especialistas admitem que o aumento possa ser "exacerbado pelas alterações climáticas, hoje reconhecidas como inequívocas" pelo Painel Intergovernamental de Alterações Climáticas (IPCC na sigla em inglês).

A subida da temperatura média do ar e dos oceanos são consequências dessa realidade, que implica a diminuição do gelo nos pólos e a subida do nível médio da água do mar.

"Portugal não escapa igualmente a fenómenos meteorológicos e climáticos extremos", considera o IM, enunciando depois as inundações, os fogos florestais, as secas e as ondas de calor como as situações mais frequentes no país.

Em consequência, cita o ano de 2003, onde uma onda de calor terá sido a responsável pela morte de mais de duas mil pessoas e os fogos florestais nesse mesmo ano como os desastres que mais impacto tiveram.

Já quanto a prejuízos, as cheias na madeira em 2010 ocupam o topo da tabela, com custos de mil milhões de euros.

As secas são também destacadas na última década, designadamente a que ocorreu entre novembro de 2004 e fevereiro de 2006 e a atinge a totalidade Portugal Continental atualmente, de forma extrema ou severa.

É preciso eliminar os «constrangimentos à execução da política florestal»

 Daniel Campelo


Mudar o rumo do do Fundo Florestal Permanente, atrair poupanças ao investimento florestal e adaptar a política florestal às reais necessidades da florestas são alguns dos objectivos do Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Daniel Campelo, que antecipa ao Ambiente Online a estratégia do Governo para a floresta para os próximos anos.

Quais são as prioridades no sector e qual a estratégia para os próximos anos?

As prioridades no sector estão alinhadas com o conteúdo do Programa do XIX Governo Constitucional que definiu um conjunto de orientações que visam “um desenvolvimento sustentável que aumente o potencial produtivo agrícola, dinamize o mundo rural” e “torne a floresta um sector potenciador de riqueza, de biodiversidade, de equilíbrio ambiental e de um bom ordenamento do território”, que reflete de forma evidente a necessidade que o país tem de capitalizar todas as suas riquezas, onde os espaços florestais, que ocupam 64 por cento do território continental nunca poderiam ser menosprezados, numa perspetiva de sustentabilidade integrada.

Defendemos que a estratégia para os próximos anos passa por promover o crescimento pelo aumento do contributo dos sector florestal, estimulando o investimento, a estruturação e a rentabilização das explorações, através das seguintes linhas estratégicas: dinamizar o mercado fundiário rústico para a estruturação fundiária com vista à melhoria de rentabilidade das explorações agrícolas e florestais; estimular o maior aproveitamento e gestão do território rural e a mobilização das terras abandonadas, fomentando a expansão das explorações e a gestão rural;

dinamizar a gestão ativa e agrupada com escala como meio de defesa da floresta contra incêndios e redução deste e outros riscos;atrair o investimento e a poupança ao mundo rural e recuperar o padrão de investimento público e privado permanente sustentável na floresta, através do estímulo a instrumentos apropriados;

operacionalizar a informação sobre o território rural como meio para melhorar as medidas de política; promover a aplicação à propriedade rústica do princípio de beneficiar quem promove o uso da terra e de responsabilizar quem a abandona; estabelecer um quadro regulamentar favorável à dinamização dos processos de estruturação fundiária da propriedade rústica;assumir a gestão sustentável como pilar da gestão do território florestal;

dinamizar o mercado fundiário rústico e a mobilização das terras abandonadas ou disponíveis para arrendamento com vista à melhoria de rentabilidade das explorações agrícolas e florestais, adaptar e generalizar a todo o território rural a identificação georreferenciada dos prédios rústicos e das terras sem dono e em abandono, como base fundamental da gestão rural, que simultaneamente antecipe e prepare a generalização do cadastro a todo o País; estimular os produtores agrícolas e florestais e os outros agentes ativos no terreno na implementação das várias formas de gestão e conservação dos espaços rurais não competitivos;criar um quadro fiscal e financeiro favorável à gestão florestal e dos espaços naturais de longo prazo, bem como à atracção das poupanças ao investimento florestal.

A sustentabilidade do sector é uma das preocupações das associações florestais e o do próprio mercado. O que está a ser equacionado neste âmbito?Haverá mudanças, por exemplo, no Fundo Florestal Permanente?

A sustentabilidade tem que ser uma preocupação de toda a sociedade no geral e deste sector em particular, mas na verdade, o sector florestal é aos dias de hoje “prova viva” de que é possível retirar dividendos económicos, salvaguardando e conservando os bens naturais e de forma a envolver toda a sociedade, que são no fim, as prerrogativas da própria sustentabilidade. A floresta portuguesa tem História e faz História em cada dia.

Nós estamos empenhados em mudar o rumo que os apoios públicos têm assumido em Portugal, e o Fundo Florestal Permanente é um bom exemplo daquilo que pretendemos vincar; quaisquer apoios públicos ao investimento no sector devem ser transparentes, permitam o escrutínio público e que respeitem o espírito pelo qual foi criado este instrumento de: apoiar a gestão florestal sustentável, nas suas diferentes valências, a estratégia de reestruturação fundiária, de planeamento e de gestão florestal e o reforço da organização de capacidade técnica dos produtos florestais.

Mas o melhor que podemos fazer é mostrar e já tivemos oportunidade de transmitir aos agentes, em todas as oportunidades que surgiram para o efeito, que informação como a de que foram apoiados pelo Fundo um conjunto de 752 projetos e protocolos, no valor global de 226 milhões de euros desde 2004 e que atualmente, encontram-se em curso (contratados ou em contratação) um conjunto de 231 projetos e protocolos, que envolvem um valor de cerca de 52 milhões de euros de apoios, dos quais se encontram pagos cerca de 32 milhões, será o nosso modo de atuação. Informar, envolver e responsabilizar-nos pela nossa floresta é uma aposta nacional e a utilização de apoios tem de ser racional e ponderada.

Quando estará pronto a publicar o novo código florestal?


A política florestal nacional deve debruçar-se pela identificação de constrangimentos, quaisquer que sejam, sendo a legislação regulamentadora deste sector peça chave que deve ser desenhada por forma a servir numa fechadura, bem oleada e que permita abrir a porta do desenvolvimento nacional, se me permite a utilização da metáfora.

A nossa metodologia está assente na revisão de vários instrumentos legais e de planeamento, um a um, revogando a legislação que não mais se adapta, revendo a demais no sentido da sua simplificação, eliminando os constrangimentos à execução da política florestal, ou seja, adaptar às reais necessidades da floresta portuguesa e dos seus agentes. Estão já em fases diferentes de preparação, propostas de diplomas, que serão apresentados, discutidos e avaliados com as entidades do sector em matérias tão essenciais quanto as arborizações, baldios, caça, pesca, protecção do sobreiro e azinheira, defesa da floresta contra incêndios e zonas de intervenção florestal, entre outros.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Novo Organograma da Autoridade Florestal Nacional

Daniel Campelo quer envolver municípios na gestão de parques naturais.

21/02/12

O governo quer envolver os municípios na gestão dos espaços verdes públicos, que têm estado sob responsabilidade da administração central, incluindo parques nacionais e naturais, disse hoje, em Coimbra, o secretário de Estado Daniel Campelo.

«A estratégia do governo é descentralizar a gestão de espaços públicos, sempre que isso corresponda a um ganho» para a área em causa, afirmou o responsável pela Secretaria de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, que falava aos jornalistas, hoje, na Mata Nacional do Choupal, depois de ter participado na sessão de apresentação do projeto Floresta Comum.

As negociações em curso, entre o governo e autarquias algarvias, relativamente ao Parque Natural da Ria Formosa, no sentido de implicar estas entidades na gestão daquela área, resultam da estratégia do governo para este setor, exemplificou Daniel Campelo.

Também as casas florestais, que, de um modo generalizado, «têm estado abandonadas e em degradação», são um reflexo daquela política, cuja gestão está a ser descentralizada, acrescentou o governante, prevendo que suceda o mesmo com os viveiros florestais.

Para vencer, «o país tem de buscar soluções na terra, porque ela é um bem muito mais estável do que se pensa», sustentou, durante a sua intervenção, o secretário de Estado, manifestando a convicção de que «a recuperação do país está no aproveitamento do território” e “não nas praças financeiras ou no euromilhões (a não ser para alguns), como muitos dizem».

No entanto, advertiu, «temos cerca de um milhão e meio de hectares de terra abandonada», para além do território com aptidão agrícola.

Envolvendo a Secretaria de Estado, a Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza) e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), o Floresta Comum pretende ser «um incentivo à reflorestação do país», foi sublinhado na sessão.

O projeto visa a criação de «uma bolsa de árvores e arbustos de espécies autóctones», que serão disponibilizados aos municípios, em função de projetos por estes apresentados e que, após a respetiva aprovação, sejam selecionados pela parceria responsável pelo Floresta Comum, disse Nuno Sequeira, dirigente da Quercus.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Ano Hidrológico 2011/12 e os incêndios florestais de 2012. O “Inferno” pode repetir-se!?

 Post de: Emanuel de Oliveira
SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

Observando e analisando os dados meteorológicos, parece que a situação ao nível dos incêndios florestais é, sem dúvida alguma, potencialmente ameaçadora. Quando olhamos a situação meteorológica do Ano Hidrológico de 2004/05, recordamos os grandes incêndios florestais que afectaram o Alto Minho, tornando-se no pior ano de sempre no histórico da região. Se compararmos o actual ano hidrológico e relacionarmos com os dados de ocorrências e área ardida, os números ainda são mais assustadores, quer ao nível da agressividade da seca quer ao nível dos incêndios florestais:
  • Em 2005, no 1º Trimestre, ocorreram no Alto Minho 634 ocorrências que consumiram um total de 1938,86 hectares de espaço florestal.
  • Em 2012, até ao dia 19 de Março, ocorreram neste mesmo território, um total de 655 ocorrências que consumiram já cerca de 2300 hectares de espaço florestal.
O total de área ardida em 2005 apenas no território distrital foi de cerca de 27 100 hectares, registando 2 845 ocorrências.

O agravamento da seca neste mês de Março e as previsões pouco animadoras podem traduzir-se num aumento preocupante do risco de incêndios florestais, pela disponibilidade dos combustíveis, a reduzida humidade do solo, o aumento da carga de combustível fino morto e os reduzidos caudais dos pontos de água de combate a incêndios. Situações especiais vão obrigatoriamente requerer medidas especiais de prevenção. Para além das medidas que se prendem com a operacionalidade dos meios de combate, será fundamental a antecipação da abertura do sistema de vigilância fixa e móvel, um incremento da fiscalização e a antecipação da abertura do Período Crítico, caso se mantenham tão baixos os níveis de precipitação.

Num país que se debate com uma séria crise financeira, a “crise meteorológica” da qual dependem todos os sectores económicos, vem aprofundar ainda mais a situação de Portugal.

Que Verão nos (des)espera!

Post de: Emanuel de Oliveira
SMPC/GTF de Vila Nova de Cerveira

Na próxima quarta-feira entramos na Primavera, deixando para trás um Inverno anormalmente seco e frio e que, nas últimas semanas brindou-nos também, com temperaturas anormalmente muito elevadas para a época.

Agora fica uma questão difícil de responder: Que tempo meteorológico espera-nos nesta Primavera de 2012? E o Verão!?

O certo é que a situação é comparável à vivida no Ano Hidrológico de 2004/2005, no entanto mais grave!


Os valores registados permitem-nos facilmente concluir que apesar dos meses de Outubro e Novembro de 2011 apresentarem valores próximos das normais climatológicas, regista-se um acentuado afastamento negativo a partir do mês de Dezembro, agravando-se severamente nos primeiros três meses de 2012.
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Relativamente aos valores das normais climatológicas, não há palavras para descrever, pois os números falam por si! Quando comparados os valores deste Ano Hidrológico que ainda vai a pouco menos de meio, com os registados no Ano Hidrológico de 2004/05, vemos que a situação é mais grave, pois em 2005 verificou-se uma acentuada recuperação logo a partir do mês de Março e que posteriormente se prolongou pelos meses de Abril e Maio, o que permitiram acumular cerca de 410 mm.
 
 No que respeita a este ano hidrológico, esperemos que se cumpra o ditado “Abril águas mil”. No entanto, cabe salientar que as chuvas primaveris poderão não ser o suficientes para paliar os efeitos desta seca extrema que atinge a região. Tomando como referência as normais climatológicas, seria importante uma acumulação de cerca de 300 mm, mas não nos podemos esquecer que dentro de três meses inicia-se o Verão e a precipitação esperada durante esta estação regista sempre valores muito reduzidos.

Segundo Francisco Infante, delegado do organismo espanhol de meteorologia - Agencia Estatal de Meteorologia (AEMET) - numa entrevista ao jornal electrónico “El Ideal Gallego” afirmou o seguinte: “Havendo um regime de precipitações normais até ao Outono, poderá recuperar-se alguma coisa, mas o caso é que teria que seguir a chover durante o resto do ano, uma vez que só com a Primavera não é o suficiente”, acrescentou ainda que “O importante agora é inverter-se a tendência, porque a falta de chuva vai acabar por impactar todo o sistema hidrológico”.

O Instituto de Meteorologia, IP através da previsão mensal para o território, regista o seguinte para os próximos dias: “Na precipitação total semanal prevêem-se valores abaixo do normal, em todo o território continental de 19/03 a 25/03, e apenas para a região a norte do sistema montanhoso Montejunto- Estrela, na semana de 26/03 a 01/04. Na semana de 02/04 a 08/04 prevêem-se valores acima do normal para a região sul.
Na temperatura média semanal prevêem-se valores acima do normal, para todo o território, nas semanas de 19/03 a 25/03 e de 26/03 a 01/04. Na semana de 02/04 a 08/04 não é possível identificar a existência de sinal estatisticamente significativo.


A previsão sazonal Multi-Modelo (ECMWF/Met Office/Météo France) para o continente, aponta para valores anormais da temperatura média entre 01 de Abril e 31 de Agosto. Prevendo-se uma anomalia positiva da temperatura média de 0,5 a 1,0 ºC, com uma probabilidade de ser superior à temperatura média entre 60% a 90%. Ao nível das precipitações não existe sinal estatisticamente significativo, pelo que é difícil a médio prazo prever-se a sua ocorrência.

Igualmente, o modelo CFS emitido pelo serviço de meteorologia dos EUA (National Weather Service) do NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), não apresenta dados animadores para o período de Maio a Julho, prevendo-se uma anomalia negativa ao nível da precipitação. Analisando-se mensalmente, os meses de Abril a Maio poderão aproximar-se de valores normais, contudo o mesmo não ocorre para os dois meses seguintes que apresentam anomalias negativas. Quanto ao mês de Agosto prevê-se uma anomalia positiva.

ATENÇÃO: A previsão fornecida por estes modelos estacionais é essencialmente probabilística. Apesar de superar o tempo de previsão meteorológica normal, apresenta um grau de fiabilidade aceitável para apoiar conclusões do tipo: espera-se que chova mais do que o normal ou para se estimar se a temperatura será acima da média, etc..

Mais de metade do continente em seca extrema

De acordo com o Observatório de Secas do Instituto de Meteorologia, a situação de seca meteorológica apresentava em 15 de março um agravamento face à situação registada no final de fevereiro, agora com mais de metade do território continental em situação de seca extrema (53%) e a parcela restante (47%) em seca severa, os dois níveis mais elevados de severidade deste episódio climático.

Também a percentagem de água no solo, que mede a capacidade de água utilizável pelas plantas, revela uma situação de escassez com valores inferiores a 50% em todo o território, havendo mesmo locais na região sul onde é inferior a 40%.

Esta situação fica a dever-se à ausência de precipitação significativa em praticamente todo o território durante a primeira quinzena de Março, período em que se registaram em média 5,7 mm.

Para o final do mês de março, tendo em conta a previsão de longo prazo disponível para a precipitação que aponta para valores abaixo do normal para a época nesta quinzena, o Instituto de Meteorologia admite como mais provável um cenário de não desagravamento na severidade da seca meteorológica.

O Observatório de Secas do IM fará no final de março nova atualização desta informação.

O IM passa a divulgar previsões sazonais

O Instituto de Meteorologia vai passar a divulgar previsões de longo prazo que integram um período de 5 meses.

A previsão sazonal que será divulgada no Portal na Web fornece informação para três trimestres de um modo deslizante e é atualizada mensalmente, sendo baseada no sistema multi-modelo EUROSIP, acoplando os modelos do ECMWF, MetOffice e Météo-France.

À semelhança da previsão mensal trata-se de uma previsão probabilistica, apresentada de uma forma estatistica em comparação com a climatologia de referência e baseia-se na análise de anomalias para a temperatura média e precipitação acumulada, sendo que por vezes o sinal não é suficientemente forte para fornecer uma informação consistente sobre um ou mais parâmetros.

É sempre de relevar que em comparação com a previsão a médio-prazo (até 15 dias), a amplitude dos sinais previstos é para as previsões sazonais muito inferior e o intervalo temporal sobre o qual se acumulam os erros é muito superior, razão bastante para que as interpretações a fazer dos resultados obtidos devam merecer os maiores cuidados por parte dos utilizadores.

Por se tratarem de produtos ainda em fase de desenvolvimento do conhecimento científico e por representarem uma leitura probabilística das condições do estado do tempo num prazo alargado, não obstante a sua divulgação pública o IM declina quaisquer responsabilidades na utilização das previsões mensais e sazonais que são disponibilizadas no Portal, particularmente no que se refere a eventuais danos ou prejuízos que advenham para os utilizadores.

Para utilizadores específicos poderão os serviços técnicos do IM prestar apoio de consultadoria que permita uma mais detalhada interpretação sobre os resultados extraídos.

III Semana da FLoresta de Ponte de Lima

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