sexta-feira, 15 de julho de 2011

Risco de incêndio aumenta na segunda metade do mês de junho

Apesar do número de incêndios florestais em Portugal Continental durante o mês de junho ser o mais alto ocorrido neste mês desde 2006, com 3172 ocorrências, o valor da área ardida, cerca de 2600 ha, é significativamente inferior à do ano de 2006 (6480 ha).

O valor médio de risco de incêndio foi praticamente igual ao do mês de junho de 2010 e um pouco inferior ao de 2006 - ano com o maior valor do risco médio de incêndio, dos últimos seis anos.

O valor médio da temperatura máxima e média do ar foi superior ao valor normal 1971-2000, sendo o valor médio da quantidade de precipitação muito inferior. (Ver boletim climatológico mensal).

Os valores observados e previstos pelo Instituto de Meteorologia, I.P., relativamente aos índices FWI e ICRIF, mostraram concordância e as taxas de acerto da previsão das classes do RCM foram elevadas, entre 92 % e 100 %.

As classes de risco de incêndio no mês de junho apresentaram, de um modo geral, valores de risco reduzido ou moderado na primeira metade do mês na maior parte dos concelhos, aumentando na segunda metade do mês para classe de risco moderado ou elevado, atingindo a classe de risco máximo nos dias 25 e 26, em particular nalguns concelhos do interior Centro e em Monchique. Contribuíram para este valor da classe de risco as condições meteorológicas (temperatura elevada e humidade relativa do ar baixa) e valores elevados do risco conjuntural naquelas regiões.

- Ver relatório risco incêndio, junho 2011

2011-07-12 (IM)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Que Verão nos espera!

Prognóstico do Verão 2011 na Península Ibérica

Considerando o início do mês de Junho como o começo do Verão, pudemos verificar um início algo turbulento nos primeiros dias de Junho, o qual, segundo alguns meteorologistas espanhóis, parece que se prolongará até meados do mês de Agosto. No entanto, parece que a temperatura irá manter-se bastante alta durante estes episódios de instabilidade, pelo que será um Verão bastante húmido até meados de Agosto e de céu limpo e seco na segunda metade do mês de Agosto até ao final da estação.

A Península Ibérica conta assim com uma grande diversidade geográfica, o que leva a que algumas zonas possam facilmente ultrapassar os 40 ºC e outras não passem os 20 ºC.

Segundos os meteorologistas da AEMET - Agencia Estatal de Meteorologia de Espanha, em traços gerais as regiões que terão um clima mais extremo neste Verão de 2011 serão:

- A costa norte da Península Ibérica, desde o Noroeste Peninsular (Norte de Portugal e Galiza) ao País Vasco, apresentará uma temperatura máxima média de 19,5 ºC e será a região que menos identifique o Verão ainda que em comparação com verões anteriores será mais quente.

- Na região correspondente ao Alentejo e Andaluzia ocidental a temperatura máxima média será de 26 ºC, aproximadamente.

JULHO

  • A partir do dia 18 começará a subir a temperatura em toda a Península Ibérica, esperando-se céu limpo.
  • Novamente, por volta do dia 20-21 de Julho espera-se um aumento da nebulosidade em todo o Norte da península, enquanto que no restante território espera-se céu limpo.
  • Finalmente há que esperar outra vez instabilidade com trovoadas pouco activas no interior da península e precipitação em todo o Norte peninsular com ventos de componente norte e noroeste próximos dos dias 25 - 26.
  • Os últimos dias de Julho apresentarão céu limpo em todo o território da península e com uma forte subida da temperatura.

AGOSTO

A primeira metade do mês de Agosto será na generalidade marcada por períodos de instabilidade, acompanhada de trovoadas. A segunda metade será sem precipitação, com céu limpo. Podendo, seguramente, estender-se até à 2ª metade do mês de Setembro.

  • Dia 1 e 2 tempo estável, com céu limpo em toda a península com subida de temperaturas devido ao vento sul. Início de alguma instabilidade, com actividade de trovoadas em toda a península sobretudo no centro (Distrito da Guarda e Castelo Branco) e metade norte da península. Espera-se céu completamente encoberto, novamente, por volta do dia 2-3.
  • Dia 4 as trovoadas afectarão o Noroeste da península.
  • Até ao dia 12-13 esperam-se dias de céu limpo e subida de temperatura em toda a península.
  • A partir do dia 13 até ao dia 16 - 17 há que esperar um episódio chuvoso em toda a península. Poderão surgir trovoadas no dia 13 em toda a metade norte da península com muita precipitação e finalizará no dia 17.
  • Espera-se que finalizem os episódios de trovoadas de todo o Verão começando assim um mês com muito Sol e sem precipitação desde meados do mês de Agosto até finalizar o Verão.

Para além disto, resta-nos estar alertas, com particular reforço de meados a finais do Verão. Esperemos que a pouca água que vem, humedeça não só os combustíveis mas também reponha água no solo! Que o final venha a ser mais calmo que o início, o qual veio com força nas duas últimas semanas de Junho!

Desenvolvido e postado por:

Emanuel de Oliveira

SMPC-GTF de Vª Nª de Cerveira

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Utilização do CPSL – Lógica de Campo (continuação)

O Sistema de Previsão de Campbell (CPSL) é um sistema simples de operar com os factores básicos de propagação do fogo: orientação/exposição, declive e vento, pelo que o combatente no Teatro de Operações, através de uma atenta e breve análise poderá planificar estratégias e tácticas baseadas no comportamento previsto do fogo e delimitar a sua validade no tempo e no espaço – janela de actuação espaço-temporal, denominada por Etiqueta Horária.

Esta lógica baseia-se no sistema de alinhamento de forças, entendendo como tal o grau de coincidência favorável ou desfavorável, relativamente ao avanço da frente de incêndio de acordo com aqueles factores básicos.

Sendo assim, é fundamental que o combatente procure identificar e descrever aquilo que vê – o comportamento do fogo na frente de chamas – e, comunique com clareza para que as tácticas a adoptar sejam eficazes e de entendimento de TODOS os combatentes. O procedimento deverá obedecer sequencialmente aos seguintes pontos:

  1. Primeiro devemos de isolar uma determinada frente, por exemplo um flanco ou a cabeça, para a sua análise específica.
  2. Seguidamente, analisamos quais os factores que estão a favor, ou seja alinhados para esse comportamento.
  3. As previsões de alteração do comportamento podem fazer-se observando a força e o alinhamento que esses factores tomarão na passagem da frente. Por ex.º se deixam de estar alinhados, perdem intensidade.
  4. Quando analisamos um incêndio devemos de avaliar as zonas que vão estar em alinhamento na passagem da frente em estudo. Com a ajuda de uma carta topográfica representaremos essas zonas.
  5. Identificar possíveis corridas e pontos críticos.

A análise deve preferencialmente, falhar por excesso!

À priori devemos de fugir das zonas de pleno alinhamento, dando-as previamente por perdidas! Caso contrário, andaremos a reboque do incêndio florestal, correndo atrás dele para exaustão dos combatentes e perdendo oportunidades de um combate firme e eficaz.

Corridas Potenciais e Pontos Críticos

A corrida de um incêndio é a superfície e a distância percorrida por uma frente em pleno alinhamento (por exemplo a cabeça e o flanco), as corridas potenciais são aquelas que resultam da análise prévia.

As mudanças de alinhamento correspondem a pontos de inflexão. O incêndio ao atingir determinadas zonas muda de comportamento porque perde ou ganha um dos factores (diz-se que perde ou ganha alinhamento).

Se prevemos que o incêndio ganhará factores, poderão ser geradores de corridas e portanto identificamos como pontos críticos.

Corrida em pleno alinhamento - 3/3: declive, combustível quente (exposto) e vento

Corrida com médio alinhamento - 2/3: declive e combustível quente (exposto).

Corrida com nulo alinhamento - 1/3: apenas declive.

Corrida sem ou fora de alinhamento - 0/3: comportamento de cauda

Por hoje ficamos por aqui! Proximamente voltaremos a falar de Campbell e do seu sistema, abordando a linguagem a usar pelos combatentes, independentemente da unidade ou estrutura a que pertençam, por forma a contribuir a um melhor entendimento das tácticas e operações a executar por cada um de nós no teatro de operações, com vista à sua eficácia.

Desenvolvido e postado por:

Emanuel de Oliveira

SMPC-GTF de Vª Nª de Cerveira


segunda-feira, 11 de julho de 2011

MUDAR A POLÍTICA FLORESTAL

Seguidamente, transcreve-se na íntegra um artigo de opinião do Prof. Dr. Américo Mendes, membro dos órgãos gerentes da FORESTIS.

Técnicos de GTF na execução de fogo controlado em área de baldio
submetida a regime florestal no Alto Minho

Américo M. S. Carvalho Mendes

Sócio fundador e Presidente da Direcção da Associação Florestal do Vale do Sousa e Presidente do Conselho Fiscal da FORESTIS – Associação Florestal de Portugal.

É bem sabida a necessidade de Portugal aumentar as exportações. O sector florestal, com um saldo comercial positivo de mais de mil milhões de euros e representando quase 10% das nossas exportações, pode dar um contributo sustentável para esse aumento uma vez que se baseia num recurso nacional e renovável e este recurso está subaproveitado.

Para este subaproveitamento tem contribuído uma asneira recorrente nas nossas políticas públicas que dura … há mais de cem anos. Que asneira é essa? Portugal é dos países do mundo onde a propriedade florestal privada tem maior peso relativo: ao Estado só pertence 1,2% da área florestal. À área privada comunitária (baldios) corresponde a percentagem de 5,4%, sendo tudo o resto (93,4%) área privada não comunitária. Apesar desta realidade que já existe há muitas décadas, a política florestal tem sido definida e conduzida como se a floresta fosse propriedade pública, ou pudesse ser gerida como se fosse pública.

Apesar de algumas mudanças nesta orientação nos últimos anos, nalguns casos elas pouco mais têm sido do que mudanças de retórica. Na prática está por fazer uma viragem de 180% na orientação da política florestal que eleja os proprietários florestais devidamente organizados como sendo o agente central da melhoria na gestão dos espaços florestais, proporcionando-lhes, para isso, incentivos que permitam passar da actual situação de rentabilidade social positiva e de rentabilidade privada negativa na produção florestal para uma situação onde ambas são positivas.

Uma peça importante desse sistema de incentivos foi criada em 2004, depois de … terem ardido no ano anterior 8% da área florestal. Estou a referir-me ao Fundo Florestal Permanente (FFP). O problema é que, mal este fundo foi criado foi logo capturado por interesses que desviaram boa parte das suas verbas da utilização atrás preconizada. Quem cometeu esse erro foi um governo da mesma área política do actual. Os governos seguintes não o corrigiram. O erro consistiu na criação nas Câmaras Municipais dos Gabinetes Técnicos Florestais (GTFs), dotando os municípios com técnicos florestais, brigadas de sapadores florestais e outros meios financiados a 100% com base no FFP.

Esta municipalização da política florestal é a versão actual do erro secular de que enferma a nossa política florestal. Ela decorre do seguinte “diagnóstico”: se há má gestão florestal é porque os proprietários florestais privados são “absentistas” incorrigíveis; por isso, é preciso substituí-los por outros agentes, senão na propriedade da floresta, pelo menos na sua gestão.

Durante mais de um século a ilusão foi de que esse agente substituto poderia ser a Administração Pública Central, através dos “Serviços Florestais”. Como por altura dos grandes incêndios florestais de 2003 os Serviços Florestais estavam em declínio, depois do período áureo da florestação dos baldios e de várias reestruturações geradoras de uma “crise de identidade” neste organismo, os defensores do “diagnóstico” atrás referido viraram-se para a Administração Pública Local supostamente “mais próxima” destes problemas. A concretização desta orientação, que contou com o apoio da Associação Nacional de Municípios, foi a criação dos GTFs

Os responsáveis por estas medidas “esqueceram-se” que, nessa altura, já existia uma rede de organizações de proprietários florestais (OPFs) com áreas sociais que cobriam grande parte do território florestal do país, em muitos casos, de âmbito intermunicipal (e não municipal, como os GTFs) como convém nestas coisas por razões de eficiência técnica e económica. “Esqueceram-se” que havia nessas OPFs um conjunto de quadros competentes e conhecedores desse território que poderiam fazer o mesmo que os GTFs. É certo que a qualidade destas organizações era muito diversa, mas nunca se deveria ter feito vista grossa sobre a sua existência, nem sobre a prioridade a dar ao seu reforço. Em vez disso, o que se fez foi exactamente ao contrário, ou seja, foi-se no sentido de enfraquecer as OPFs de várias formas. Uma delas, como é óbvio, foi desviar para os GTFs verbas do FFP que deveriam ser afectas ao reforço das OPFs.

A mudança de 180% que está por fazer nesta política pública deverá, então, consistir no seguinte:

a) Eleger, de facto, as OPFS como agente central da melhoria da gestão florestal;
b)
Com base no FFP e noutros instrumentos de política pública já existentes, estabelecer, sem acréscimo de despesa pública, um sistema de incentivos à produção florestal que faça com que se passe da actual situação de rentabilidade social positiva e rentabilidade privada negativa para uma situação onde ambas as rentabilidades são positivas;
c)
Desenhar esse sistema de maneira a que haja consolidação dos vários instrumentos financeiros de política pública existentes nesta área (ex. FFP, PRODER, apoios às brigadas de sapadores florestais) num único instrumento consubstanciado na figura de contratos programa de médio prazo a celebrar entre o Estado e as OPFs;
d)
Nestes contratos combinar esse co-financiamento público, que deve estar sujeito a tectos razoáveis, com recursos próprios a gerar pelas OPFs numa percentagem que deve crescer ao longo do tempo de forma gradual e realista e não de forma abrupta como agora acontece (ex. há apoios para a constituição de Zonas de Intervenção Florestal, mas depois não há nada para além disso);
e)
Dar às OPFs autonomia de planeamento estratégico para definirem os objectivos e as acções com que se comprometem nesses contratos e combater as disposições e as práticas de “comando e controlo” de que a Administração Pública nesta área é fértil;
f)
Submeter a execução desses contratos e as respectivas OPFs a avaliações de desempenho independentes e transparentes, condicionando a continuidade do co-financiamento público ao bom desempenho, ou seja, premiando os melhores e não penalizando-os, como agora acontece neste país de incentivos ao contrário (se não fosse a limitação de espaço daria aqui exemplos deste tipo de incentivos que conheço por experiência própria).

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sistema de Previsão de Campbell - Uma ferramenta para os combatentes de incêndios florestais

O Sistema de Previsão de Campbell (Campbell Prediction System Language - CPSL) criado por Doug Campbell, um técnico-combatente com 32 anos de experiência no Serviço Florestal dos Estados Unidos (US Forest Service), permite aos combatentes e analistas prever o comportamento futuro de um incêndio, sendo uma ajuda potente para a análise da emergência de um incêndio florestal. Além disso, a sua correcta aplicação, permite o entendimento entre o posto de comando e as diferentes equipas de combate – trata-se também de uma linguagem.

Contudo cabe salientar de que nada servirá que a análise seja boa e correcta, se os chefes das equipas e os comandos não assimilem este sistema porque não querem ou porque não sejam capazes de executá-lo.

Antes de explicar o que nos diz Doug Campbell sobre o seu sistema de previsão do comportamento do fogo num incêndio, temos que considerar de alguns conceitos prévios:

  1. A temperatura do ar e a humidade relativa são elementos do perigo de incêndio – não são elementos do comportamento do fogo.
  2. O grau de perigo de incêndios não explica as variações na intensidade do fogo.
  3. Ao contrário do que por vezes se ensina, não é o ar seco e quente que seca e aquece os combustíveis florestais!

REALMENTE, É O AR QUE ARREFECE OS COMBUSTÍVEIS E É O AR QUE RECEBE O CALOR DOS COMBUSTÍVEIS POR CONDUÇÃO.

O Sistema de Campbell tem por base o Triângulo de Comportamento de Fogo constituído pelos 3 factores determinantes na intensidade e velocidade de propagação de um incêndio florestal – Topografia, Meteorologia e Combustíveis. No entanto, sintetiza o efeito destes factores a 3 elementos considerados chave quer individualmente quer na sua inter-relação na determinação do comportamento do fogo: Declive, Vento e Exposição.

O Declive constitui uma força importante ao favorecer o aumento da velocidade da frente do incêndio e de colocar os materiais combustíveis mais próximos da radiação necessária para começarem a arder. Em laboratório, as provas permitiram registar velocidades 20 vezes superiores na subida do que na descida. (Terrén, Domingo Molina; Unidad de Fuegos Forestales - Universidad de Lleida)

O Vento, assim como o declive, acelera a propagação do incêndio quando está a favor, pelo seu efeito na radiação, ao tombar as chamas, ao oxigená-las e ao secar os combustíveis à sua frente. Assim, o fogo é mais eficiente a favor do vento do que em contra, ao queimar uma maior quantidade de combustível ao mesmo tempo.

A Exposição/Orientação do combustível na encosta em relação à radiação solar, indica quando este estará frio ou quente. A exposição/orientação da encosta tem uma incidência directa:

1. Na temperatura do combustível e portanto, na inflamabilidade. Quando uma encosta está totalmente exposta ao sol, a sua temperatura aumenta de tal forma que podem chegar-se a registar temperaturas próximas dos 80 ºC no ar junto ao combustível irradiado, enquanto que a temperatura geral do ar (ambiente) possa rondar os 38 – 40 ºC.

2. No tipo de vegetação. O stress hídrico, a radiação solar ou outros aspectos do microclima, vão condicionar a vegetação (disponibilidade, carga de combustível, compactação) e portanto o tipo ou modelo de combustível.

3. Na meteorologia. As exposições quentes ao transferir o seu calor ao ar por condução, criam-se ventos topográficos superficiais opostos, diferentes ou inclusive a favor dos ventos gerais. Igualmente, após a chuva, numa exposição soalheira a água evapora-se mais rapidamente que numa encosta sombria.

Então perguntamo-nos o seguinte:

Será também que o combustível é um elemento estável que não se altera!?

Segundo Campbell, na frente das chamas a inflamabilidade do combustível muda de hora a hora. Esta diferença horária da inflamabilidade está relacionada com a recepção e acumulação da energia radiante, a qual varia no ciclo diurno com a exposição/orientação da encosta.


Medições levadas a cabo pelo Serviço Municipal de Protecção Civil / Gabinete Técnico Florestal de Vila Nova de Cerveira permitiram comprovar que a temperatura dos combustíveis regista valores muitas vezes próximas do dobro da temperatura do ambiente.

Temperatura do Ar medida 1,30 m de altura (Exposição SW, às 16 horas)

Temperatura do Ar junto aos Combustíveis no mesmo local onde foi obtida a medida a anterior (Exposição SW, às 16 horas)

Igualmente, pudemos constatar que a maioria dos reacendimentos dos incêndios florestais dão-se nos picos das curvas de inflamabilidade, o que nos permite uma melhor avaliação das condições e métodos aplicados nos trabalhos de rescaldo, pois é de destacar que a larga maioria dos grandes incêndios florestais no Alto Minho têm normalmente origem em rescaldos defeituosos e na falta de vigilância activa das áreas pós-incêndio.

A aplicação do Sistema de Campbell permite-nos determinar que comportamento de fogo se espera em cada frente de chamas de um incêndio e que prioridades ou tácticas de ataque ou métodos de combate deverão ser aplicados. A aplicação deste sistema de previsão centra-se sobretudo na poupança de recursos quer humanos quer materiais, pois quantas vezes assistimos nos incêndios florestais à aplicação de tácticas inoperacionais que nada vão adiantar e que levam os combatentes a correr literalmente atrás do fogo - a reboque do incêndio florestal - conduzindo-os à exaustão e a um desgaste dos equipamentos inutilmente.

A aplicação do Sistema de Campbell implica:

  • Para integrá-lo requer uma conversão importante na formação do pessoal combatente, com especial prioridade sobre as chefias de cada equipa.
  • Requer um período de tempo de adaptação, sendo necessário realizar sempre uma avaliação de cada incêndio nos dias seguintes, com o objectivo de corrigir erros e de difundir os mesmos conhecimentos por todos os intervenientes, pois é um facto que por questões da escala, nos grandes incêndios, a memória que possui cada equipa combatente é de todo limitada, devido à visão parcial do incêndio e por vezes não entende porque se aplicou uma determinada táctica.

Dada a importância da análise do comportamento do fogo por parte dos combatentes, o Serviço Municipal de Protecção Civil tem vindo a colaborar com a Corporação de Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira, na formação dos seus combatentes nesta importante temática, através de sessões formativas, estudos de casos e análise de incêndios florestais.

Hoje, ficamos por aqui, mas brevemente darei a conhecer de forma prática e simples o que nos diz o Sistema de Campbell, bem como a linguagem comum a aplicar por todos os combatentes das diversas equipas (bombeiros, sapadores florestais, equipas GIPS, equipas AFOCELCA, entre outros).

Desenvolvido e postado por:

Emanuel de Oliveira

SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

terça-feira, 28 de junho de 2011

Primavera quente em Portugal Continental

A primavera de 2011 em Portugal Continental, estação que em meteorologia corresponde aos meses de março, abril e maio, foi a 2ª mais quente desde 1931, com a temperatura média e mínima do ar com do trimestre atingido 15.92ºC e 10.37ºC, respetivamente. A primavera mais quente ocorreu em 1997 com 16.50ºC e 10.50ºC, respetivamente.

Esta foi a 18ª primavera consecutiva com o valor da temperatura média do ar acima da normal 1971-2000. O valor médio da temperatura máxima foi elevado (21.47ºC), sendo o 3º mais alto desde 1931 (22.48ºC em 1997 e 21.53ºC em 1945). Os valores médios da temperatura máxima, média e mínima do ar foram superiores ao valor normal 1971-2000 em +2.76ºC, +2.32ºC e +1.88ºC, respetivamente.

Nos meses de abril e maio ocorreram 3 ondas de calor: uma em abril e duas em maio.

Em relação à quantidade de precipitação ocorrida na primavera 2011 o valor registado foi muito próximo do valor normal (1971-2000), com uma anomalia de +2.5mm. Classificando-se esta primavera como seca a extremamente seca na região Norte, normal a chuvosa na Região Centro e chuvosa a extremamente chuvosa na região Sul.

Fonte: Relatório do Instituto de Meteorologia


Postado por Amélia Freitas
GTF Caminha

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More