quarta-feira, 13 de julho de 2011

Utilização do CPSL – Lógica de Campo (continuação)

O Sistema de Previsão de Campbell (CPSL) é um sistema simples de operar com os factores básicos de propagação do fogo: orientação/exposição, declive e vento, pelo que o combatente no Teatro de Operações, através de uma atenta e breve análise poderá planificar estratégias e tácticas baseadas no comportamento previsto do fogo e delimitar a sua validade no tempo e no espaço – janela de actuação espaço-temporal, denominada por Etiqueta Horária.

Esta lógica baseia-se no sistema de alinhamento de forças, entendendo como tal o grau de coincidência favorável ou desfavorável, relativamente ao avanço da frente de incêndio de acordo com aqueles factores básicos.

Sendo assim, é fundamental que o combatente procure identificar e descrever aquilo que vê – o comportamento do fogo na frente de chamas – e, comunique com clareza para que as tácticas a adoptar sejam eficazes e de entendimento de TODOS os combatentes. O procedimento deverá obedecer sequencialmente aos seguintes pontos:

  1. Primeiro devemos de isolar uma determinada frente, por exemplo um flanco ou a cabeça, para a sua análise específica.
  2. Seguidamente, analisamos quais os factores que estão a favor, ou seja alinhados para esse comportamento.
  3. As previsões de alteração do comportamento podem fazer-se observando a força e o alinhamento que esses factores tomarão na passagem da frente. Por ex.º se deixam de estar alinhados, perdem intensidade.
  4. Quando analisamos um incêndio devemos de avaliar as zonas que vão estar em alinhamento na passagem da frente em estudo. Com a ajuda de uma carta topográfica representaremos essas zonas.
  5. Identificar possíveis corridas e pontos críticos.

A análise deve preferencialmente, falhar por excesso!

À priori devemos de fugir das zonas de pleno alinhamento, dando-as previamente por perdidas! Caso contrário, andaremos a reboque do incêndio florestal, correndo atrás dele para exaustão dos combatentes e perdendo oportunidades de um combate firme e eficaz.

Corridas Potenciais e Pontos Críticos

A corrida de um incêndio é a superfície e a distância percorrida por uma frente em pleno alinhamento (por exemplo a cabeça e o flanco), as corridas potenciais são aquelas que resultam da análise prévia.

As mudanças de alinhamento correspondem a pontos de inflexão. O incêndio ao atingir determinadas zonas muda de comportamento porque perde ou ganha um dos factores (diz-se que perde ou ganha alinhamento).

Se prevemos que o incêndio ganhará factores, poderão ser geradores de corridas e portanto identificamos como pontos críticos.

Corrida em pleno alinhamento - 3/3: declive, combustível quente (exposto) e vento

Corrida com médio alinhamento - 2/3: declive e combustível quente (exposto).

Corrida com nulo alinhamento - 1/3: apenas declive.

Corrida sem ou fora de alinhamento - 0/3: comportamento de cauda

Por hoje ficamos por aqui! Proximamente voltaremos a falar de Campbell e do seu sistema, abordando a linguagem a usar pelos combatentes, independentemente da unidade ou estrutura a que pertençam, por forma a contribuir a um melhor entendimento das tácticas e operações a executar por cada um de nós no teatro de operações, com vista à sua eficácia.

Desenvolvido e postado por:

Emanuel de Oliveira

SMPC-GTF de Vª Nª de Cerveira


segunda-feira, 11 de julho de 2011

MUDAR A POLÍTICA FLORESTAL

Seguidamente, transcreve-se na íntegra um artigo de opinião do Prof. Dr. Américo Mendes, membro dos órgãos gerentes da FORESTIS.

Técnicos de GTF na execução de fogo controlado em área de baldio
submetida a regime florestal no Alto Minho

Américo M. S. Carvalho Mendes

Sócio fundador e Presidente da Direcção da Associação Florestal do Vale do Sousa e Presidente do Conselho Fiscal da FORESTIS – Associação Florestal de Portugal.

É bem sabida a necessidade de Portugal aumentar as exportações. O sector florestal, com um saldo comercial positivo de mais de mil milhões de euros e representando quase 10% das nossas exportações, pode dar um contributo sustentável para esse aumento uma vez que se baseia num recurso nacional e renovável e este recurso está subaproveitado.

Para este subaproveitamento tem contribuído uma asneira recorrente nas nossas políticas públicas que dura … há mais de cem anos. Que asneira é essa? Portugal é dos países do mundo onde a propriedade florestal privada tem maior peso relativo: ao Estado só pertence 1,2% da área florestal. À área privada comunitária (baldios) corresponde a percentagem de 5,4%, sendo tudo o resto (93,4%) área privada não comunitária. Apesar desta realidade que já existe há muitas décadas, a política florestal tem sido definida e conduzida como se a floresta fosse propriedade pública, ou pudesse ser gerida como se fosse pública.

Apesar de algumas mudanças nesta orientação nos últimos anos, nalguns casos elas pouco mais têm sido do que mudanças de retórica. Na prática está por fazer uma viragem de 180% na orientação da política florestal que eleja os proprietários florestais devidamente organizados como sendo o agente central da melhoria na gestão dos espaços florestais, proporcionando-lhes, para isso, incentivos que permitam passar da actual situação de rentabilidade social positiva e de rentabilidade privada negativa na produção florestal para uma situação onde ambas são positivas.

Uma peça importante desse sistema de incentivos foi criada em 2004, depois de … terem ardido no ano anterior 8% da área florestal. Estou a referir-me ao Fundo Florestal Permanente (FFP). O problema é que, mal este fundo foi criado foi logo capturado por interesses que desviaram boa parte das suas verbas da utilização atrás preconizada. Quem cometeu esse erro foi um governo da mesma área política do actual. Os governos seguintes não o corrigiram. O erro consistiu na criação nas Câmaras Municipais dos Gabinetes Técnicos Florestais (GTFs), dotando os municípios com técnicos florestais, brigadas de sapadores florestais e outros meios financiados a 100% com base no FFP.

Esta municipalização da política florestal é a versão actual do erro secular de que enferma a nossa política florestal. Ela decorre do seguinte “diagnóstico”: se há má gestão florestal é porque os proprietários florestais privados são “absentistas” incorrigíveis; por isso, é preciso substituí-los por outros agentes, senão na propriedade da floresta, pelo menos na sua gestão.

Durante mais de um século a ilusão foi de que esse agente substituto poderia ser a Administração Pública Central, através dos “Serviços Florestais”. Como por altura dos grandes incêndios florestais de 2003 os Serviços Florestais estavam em declínio, depois do período áureo da florestação dos baldios e de várias reestruturações geradoras de uma “crise de identidade” neste organismo, os defensores do “diagnóstico” atrás referido viraram-se para a Administração Pública Local supostamente “mais próxima” destes problemas. A concretização desta orientação, que contou com o apoio da Associação Nacional de Municípios, foi a criação dos GTFs

Os responsáveis por estas medidas “esqueceram-se” que, nessa altura, já existia uma rede de organizações de proprietários florestais (OPFs) com áreas sociais que cobriam grande parte do território florestal do país, em muitos casos, de âmbito intermunicipal (e não municipal, como os GTFs) como convém nestas coisas por razões de eficiência técnica e económica. “Esqueceram-se” que havia nessas OPFs um conjunto de quadros competentes e conhecedores desse território que poderiam fazer o mesmo que os GTFs. É certo que a qualidade destas organizações era muito diversa, mas nunca se deveria ter feito vista grossa sobre a sua existência, nem sobre a prioridade a dar ao seu reforço. Em vez disso, o que se fez foi exactamente ao contrário, ou seja, foi-se no sentido de enfraquecer as OPFs de várias formas. Uma delas, como é óbvio, foi desviar para os GTFs verbas do FFP que deveriam ser afectas ao reforço das OPFs.

A mudança de 180% que está por fazer nesta política pública deverá, então, consistir no seguinte:

a) Eleger, de facto, as OPFS como agente central da melhoria da gestão florestal;
b)
Com base no FFP e noutros instrumentos de política pública já existentes, estabelecer, sem acréscimo de despesa pública, um sistema de incentivos à produção florestal que faça com que se passe da actual situação de rentabilidade social positiva e rentabilidade privada negativa para uma situação onde ambas as rentabilidades são positivas;
c)
Desenhar esse sistema de maneira a que haja consolidação dos vários instrumentos financeiros de política pública existentes nesta área (ex. FFP, PRODER, apoios às brigadas de sapadores florestais) num único instrumento consubstanciado na figura de contratos programa de médio prazo a celebrar entre o Estado e as OPFs;
d)
Nestes contratos combinar esse co-financiamento público, que deve estar sujeito a tectos razoáveis, com recursos próprios a gerar pelas OPFs numa percentagem que deve crescer ao longo do tempo de forma gradual e realista e não de forma abrupta como agora acontece (ex. há apoios para a constituição de Zonas de Intervenção Florestal, mas depois não há nada para além disso);
e)
Dar às OPFs autonomia de planeamento estratégico para definirem os objectivos e as acções com que se comprometem nesses contratos e combater as disposições e as práticas de “comando e controlo” de que a Administração Pública nesta área é fértil;
f)
Submeter a execução desses contratos e as respectivas OPFs a avaliações de desempenho independentes e transparentes, condicionando a continuidade do co-financiamento público ao bom desempenho, ou seja, premiando os melhores e não penalizando-os, como agora acontece neste país de incentivos ao contrário (se não fosse a limitação de espaço daria aqui exemplos deste tipo de incentivos que conheço por experiência própria).

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sistema de Previsão de Campbell - Uma ferramenta para os combatentes de incêndios florestais

O Sistema de Previsão de Campbell (Campbell Prediction System Language - CPSL) criado por Doug Campbell, um técnico-combatente com 32 anos de experiência no Serviço Florestal dos Estados Unidos (US Forest Service), permite aos combatentes e analistas prever o comportamento futuro de um incêndio, sendo uma ajuda potente para a análise da emergência de um incêndio florestal. Além disso, a sua correcta aplicação, permite o entendimento entre o posto de comando e as diferentes equipas de combate – trata-se também de uma linguagem.

Contudo cabe salientar de que nada servirá que a análise seja boa e correcta, se os chefes das equipas e os comandos não assimilem este sistema porque não querem ou porque não sejam capazes de executá-lo.

Antes de explicar o que nos diz Doug Campbell sobre o seu sistema de previsão do comportamento do fogo num incêndio, temos que considerar de alguns conceitos prévios:

  1. A temperatura do ar e a humidade relativa são elementos do perigo de incêndio – não são elementos do comportamento do fogo.
  2. O grau de perigo de incêndios não explica as variações na intensidade do fogo.
  3. Ao contrário do que por vezes se ensina, não é o ar seco e quente que seca e aquece os combustíveis florestais!

REALMENTE, É O AR QUE ARREFECE OS COMBUSTÍVEIS E É O AR QUE RECEBE O CALOR DOS COMBUSTÍVEIS POR CONDUÇÃO.

O Sistema de Campbell tem por base o Triângulo de Comportamento de Fogo constituído pelos 3 factores determinantes na intensidade e velocidade de propagação de um incêndio florestal – Topografia, Meteorologia e Combustíveis. No entanto, sintetiza o efeito destes factores a 3 elementos considerados chave quer individualmente quer na sua inter-relação na determinação do comportamento do fogo: Declive, Vento e Exposição.

O Declive constitui uma força importante ao favorecer o aumento da velocidade da frente do incêndio e de colocar os materiais combustíveis mais próximos da radiação necessária para começarem a arder. Em laboratório, as provas permitiram registar velocidades 20 vezes superiores na subida do que na descida. (Terrén, Domingo Molina; Unidad de Fuegos Forestales - Universidad de Lleida)

O Vento, assim como o declive, acelera a propagação do incêndio quando está a favor, pelo seu efeito na radiação, ao tombar as chamas, ao oxigená-las e ao secar os combustíveis à sua frente. Assim, o fogo é mais eficiente a favor do vento do que em contra, ao queimar uma maior quantidade de combustível ao mesmo tempo.

A Exposição/Orientação do combustível na encosta em relação à radiação solar, indica quando este estará frio ou quente. A exposição/orientação da encosta tem uma incidência directa:

1. Na temperatura do combustível e portanto, na inflamabilidade. Quando uma encosta está totalmente exposta ao sol, a sua temperatura aumenta de tal forma que podem chegar-se a registar temperaturas próximas dos 80 ºC no ar junto ao combustível irradiado, enquanto que a temperatura geral do ar (ambiente) possa rondar os 38 – 40 ºC.

2. No tipo de vegetação. O stress hídrico, a radiação solar ou outros aspectos do microclima, vão condicionar a vegetação (disponibilidade, carga de combustível, compactação) e portanto o tipo ou modelo de combustível.

3. Na meteorologia. As exposições quentes ao transferir o seu calor ao ar por condução, criam-se ventos topográficos superficiais opostos, diferentes ou inclusive a favor dos ventos gerais. Igualmente, após a chuva, numa exposição soalheira a água evapora-se mais rapidamente que numa encosta sombria.

Então perguntamo-nos o seguinte:

Será também que o combustível é um elemento estável que não se altera!?

Segundo Campbell, na frente das chamas a inflamabilidade do combustível muda de hora a hora. Esta diferença horária da inflamabilidade está relacionada com a recepção e acumulação da energia radiante, a qual varia no ciclo diurno com a exposição/orientação da encosta.


Medições levadas a cabo pelo Serviço Municipal de Protecção Civil / Gabinete Técnico Florestal de Vila Nova de Cerveira permitiram comprovar que a temperatura dos combustíveis regista valores muitas vezes próximas do dobro da temperatura do ambiente.

Temperatura do Ar medida 1,30 m de altura (Exposição SW, às 16 horas)

Temperatura do Ar junto aos Combustíveis no mesmo local onde foi obtida a medida a anterior (Exposição SW, às 16 horas)

Igualmente, pudemos constatar que a maioria dos reacendimentos dos incêndios florestais dão-se nos picos das curvas de inflamabilidade, o que nos permite uma melhor avaliação das condições e métodos aplicados nos trabalhos de rescaldo, pois é de destacar que a larga maioria dos grandes incêndios florestais no Alto Minho têm normalmente origem em rescaldos defeituosos e na falta de vigilância activa das áreas pós-incêndio.

A aplicação do Sistema de Campbell permite-nos determinar que comportamento de fogo se espera em cada frente de chamas de um incêndio e que prioridades ou tácticas de ataque ou métodos de combate deverão ser aplicados. A aplicação deste sistema de previsão centra-se sobretudo na poupança de recursos quer humanos quer materiais, pois quantas vezes assistimos nos incêndios florestais à aplicação de tácticas inoperacionais que nada vão adiantar e que levam os combatentes a correr literalmente atrás do fogo - a reboque do incêndio florestal - conduzindo-os à exaustão e a um desgaste dos equipamentos inutilmente.

A aplicação do Sistema de Campbell implica:

  • Para integrá-lo requer uma conversão importante na formação do pessoal combatente, com especial prioridade sobre as chefias de cada equipa.
  • Requer um período de tempo de adaptação, sendo necessário realizar sempre uma avaliação de cada incêndio nos dias seguintes, com o objectivo de corrigir erros e de difundir os mesmos conhecimentos por todos os intervenientes, pois é um facto que por questões da escala, nos grandes incêndios, a memória que possui cada equipa combatente é de todo limitada, devido à visão parcial do incêndio e por vezes não entende porque se aplicou uma determinada táctica.

Dada a importância da análise do comportamento do fogo por parte dos combatentes, o Serviço Municipal de Protecção Civil tem vindo a colaborar com a Corporação de Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira, na formação dos seus combatentes nesta importante temática, através de sessões formativas, estudos de casos e análise de incêndios florestais.

Hoje, ficamos por aqui, mas brevemente darei a conhecer de forma prática e simples o que nos diz o Sistema de Campbell, bem como a linguagem comum a aplicar por todos os combatentes das diversas equipas (bombeiros, sapadores florestais, equipas GIPS, equipas AFOCELCA, entre outros).

Desenvolvido e postado por:

Emanuel de Oliveira

SMPC/GTF de Vª Nª de Cerveira

terça-feira, 28 de junho de 2011

Primavera quente em Portugal Continental

A primavera de 2011 em Portugal Continental, estação que em meteorologia corresponde aos meses de março, abril e maio, foi a 2ª mais quente desde 1931, com a temperatura média e mínima do ar com do trimestre atingido 15.92ºC e 10.37ºC, respetivamente. A primavera mais quente ocorreu em 1997 com 16.50ºC e 10.50ºC, respetivamente.

Esta foi a 18ª primavera consecutiva com o valor da temperatura média do ar acima da normal 1971-2000. O valor médio da temperatura máxima foi elevado (21.47ºC), sendo o 3º mais alto desde 1931 (22.48ºC em 1997 e 21.53ºC em 1945). Os valores médios da temperatura máxima, média e mínima do ar foram superiores ao valor normal 1971-2000 em +2.76ºC, +2.32ºC e +1.88ºC, respetivamente.

Nos meses de abril e maio ocorreram 3 ondas de calor: uma em abril e duas em maio.

Em relação à quantidade de precipitação ocorrida na primavera 2011 o valor registado foi muito próximo do valor normal (1971-2000), com uma anomalia de +2.5mm. Classificando-se esta primavera como seca a extremamente seca na região Norte, normal a chuvosa na Região Centro e chuvosa a extremamente chuvosa na região Sul.

Fonte: Relatório do Instituto de Meteorologia


Postado por Amélia Freitas
GTF Caminha

sexta-feira, 24 de junho de 2011

CAMINHA | Abertas inscrições para Programa Voluntariado Jovem para a Floresta 2011

O Município de Caminha aderiu mais uma vez ao Programa Voluntariado Jovem para as Florestas 2011, cujas inscrições já estão a decorrer. Este programa de vigilância das florestas decorre de 15 de Julho a 15 de Setembro.

O Programa Voluntariado Jovem para as Florestas 2011, cujas inscrições terminam em Agosto, resulta de uma candidatura apresentada pela Câmara de Caminha ao Instituto Português da Juventude (IPJ), I.P e Autoridade Florestal Nacional.

O Executivo camarário pretende, com o voluntariado jovem, preservar o património natural do concelho, com vista a reduzir os incêndios que todos os anos afectam a floresta concelhia.

À semelhança de anos anteriores, este programa dirige-se aos jovens, com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, que gostem da natureza e que tenham aptidão para desempenhar funções no âmbito da vigilância, com o propósito de salvaguardar as florestas dos perigos a que estão sujeitas sistematicamente.

Deste modo, os interessados podem inscrever-se na Delegação Regional do Instituto Português da Juventude de Viana do Castelo ou no Gabinete Técnico Florestal do Município de Caminha.

Em Caminha, os jovens voluntários irão desempenhar a vigilância fixa, em locais previamente definidos.

Incentivar a participação dos jovens no grande desafio que é a preservação da natureza e da floresta em particular, bem como reduzir o flagelo dos incêndios, através de acções de prevenção, são os grandes objectivos deste programa de voluntariado.

Como contrapartida da salvaguarda da floresta, os voluntários terão direito a um seguro de acidentes pessoais, a um subsídio diário e a material adequado, de modo a exercerem, da melhor forma possível, as suas funções.

Trata-se de uma iniciativa singular no contexto europeu que, em 2011, concilia os objectivos de três iniciativas internacionais, designadamente Ano Europeu do Voluntariado, Ano Internacional da Juventude e Ano Internacional das Florestas.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Menos Água e Mais trabalho de "Combatente"!

Adopção de novas instruções para meios áereos



Para "destressar"!

Postado por: Emanuel de Oliveira
SMPC/GTF Vila Nova de Cerveira

sábado, 18 de junho de 2011

AFNdis | flash | jornal Público 12Jun11 - Protecção florestal ao acaso e o acaso das florestas públicas

Texto subscrito pelo Presidente da Autoridade Florestal Nacional e que constitui a respectiva resposta oficial ao artigo Protecção florestal ao acaso e o acaso das florestas públicas, da autoria de Francisco Castro Rego e António Salgueiro, publicado no jornal “Público” do passado dia 12 de Junho de 2011.

“A leitura do artigo com o título “Protecção florestal ao acaso e o acaso das florestas públicas” (Público 20110612) subscrito por Francisco Rego e António Salgueiro, obrigam-me a esclarecer os Leitores, na perspectiva de tentar corrigir algumas das ideias expendidas, colocando o assunto de acordo com a realidade e dessa forma respeitar a verdade dos factos.

Não irei abordar a totalidade dos assuntos, mas atendendo às funções que os signatários tiveram no passado próximo, o que naturalmente lhes confere também responsabilidades, será importante referir alguns aspectos que considero essenciais, para que se perceba o alcance de algumas críticas, e até para que não possa perpassar pelos leitores a ideia de estarem perante pessoas recém chegadas aos temas florestais.

Passemos então aos vários esclarecimentos que considero necessários:

1. A Autoridade Florestal Nacional está incumbida de realizar uma monitorização externa da execução do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PNDFCI) sendo que o resultado dessa mesma avaliação, foi apresentado no último Conselho Consultivo Florestal (CCF) no passado dia 1 de Junho. Esse mesmo relatório foi encaminhado para a GNR e para Autoridade Nacional de Protecção Civil (outras entidades responsáveis pelos 2 pilares estruturais do plano nacional) para a necessária tomada de iniciativas e soluções correctivas adequadas. Por esta razão o apuramento das fragilidades, o impacto da ineficiência e eficiência encontradas, a importância das condições meteorológicas, entre outras, irão ser ponderadas no diagnóstico das questões suscitadas. A este respeito sempre se dirá que as condições meteorológicas – assunto destacado no artigo - são sempre um factor determinante, que não se pode negar, responsável parcial pelos maus resultados em anos como 2003 e 2005, mas também pelos bons resultados alcançados em 2007 e 2008.

2. A orientação estratégica na Defesa da Floresta Contra Incêndios está consubstanciada no citado PNDFCI, aprovado em RCM/65/2006 de 25 Maio, no período em que o Sr Francisco Rego era precisamente Director Geral das florestas, pelo que não é perceptível a afirmação de que “é alarmante a actual falta de orientação estratégica na Defesa da Floresta Contra Incêndios”, uma vez que ela é basicamente a mesma desde 2006.

3. Não beliscando os objectivos e alguns resultados do projecto europeu Fire Paradox (2006-2010) importará referir que foi, e bem, entusiasticamente abraçado pelo Sr. Francisco Rego tendo feito parte do conjunto de projectos do Centro de Ecologia Aplicada Prof Baeta Neves, organização na qual o Sr. Francisco Rego é coordenador científico. O PNDFCI é totalmente omisso no tocante ao projecto europeu Fire Paradox e endossa claramente as responsabilidades e técnicas de combate à ANPC e aos Bombeiros de Portugal, onde se incluem as técnicas de contra fogo.

4. Após a saída do Sr. Francisco Rego da ex-DGRF, foi publicada uma Portaria (nº 35/2009 de 16 de Janeiro) onde é formulada a intenção de criar uma estrutura, onde, entre outros aspectos, existe a referência ao Grupo de Especialistas de Fogo Controlado (GEFoCo), e a Grupo de Análise e Uso do Fogo (GAUF). Tudo aparenta que a administração, após esta publicação, teria concluído não ter capacidade interna para montar tal estrutura e optou por recorrer a recursos externos para resolver as necessidades criadas.

5. Nesta sequência a Administração abriu em Fevereiro de 2009 dois concursos públicos internacionais para prestação de serviços, um para a área da gestão de combustíveis e outro para a área da prevenção estrutural da defesa da floresta (incluindo a fitossanidade), aos quais apenas foi opositora uma única empresa, a GIFF S.A. (Gestão Integrada de Fogos Florestais S.A.), cujo representante é o Sr. António Salgueiro co-autor do artigo publicado. As condições estabelecidas na prestação destes serviços, passavam pela prestação de serviços técnicos. Os meios logísticos, viaturas, telemóveis, computadores, equipamentos de protecção pessoal, despesas de comunicação e combustíveis foram suportados pela AFN, sendo certo que anualmente à GIFF seriam pagos cerca de €3.200.000 (3,2 milhões de euros – correspondendo a 1,79 M€ e 1,39 M€ em cada um dos contratos), numa contratação que terminou em Junho de 2010.

6. A actual direcção, quando iniciou funções em 1 de Dezembro de 2009, e após ter analisado as responsabilidades anteriormente assumidas, pretendeu respeitar as obrigações consagradas no PNDFCI, no entanto, num modelo que respeitasse a “troika”, Eficiência – Eficácia – Economia, por ter considerado não estarem estas garantidas no processo existente. Nesta linha de acção, requereu à tutela, em Janeiro de 2010, a libertação de vagas para possibilitar a abertura de concurso externo para contratação de técnicos com valências técnicas que dessem garantias na prossecução das missões de Defesa da Floresta, e na impossibilidade legal de procedimentos concursais, conseguiu, com a aprovação do Ministério das Finanças a realização de contratos que mantivessem, em termos técnicos, a manutenção das condições necessárias para o bom desempenho da instituição. Por último acrescento que na campanha de Outubro 2009 a Abril de 2010 se realizaram cerca de 1300 ha de fogo controlado (2007: 650 ha; 2008: 670 ha).

7. A propósito da realização de fogo controlado, ferramenta de gestão florestal imprescindível, provámos em 2011, ser possível fazer mais com muito menos despesa, utilizando recursos humanos e equipamentos internos. A este propósito e em apenas 4 meses de trabalho, foram realizados no país mais de 800 ha, com custos estimados em cerca de €20.000, contando com salários e todas as despesas associadas (com um custo por ha de aproximadamente €25). Com estas iniciativas, transportamos os objectivos do GEFoCo para equipas internas da AFN, com uma notável capacidade de execução. A isto chamamos defesa do interesse público.

8. A AFN não tem como objectivo, como é referido, “acabar com o Grupo de Análise e Uso do Fogo (GAUF)”, mas antes passar esta responsabilidade para que tem a incumbência do combate aos incêndios florestais, ou seja para os Corpos de Bombeiros e para a ANPC. No entretanto, e enquanto os aspectos legais não são alterados, abriu um concurso público urgente que encerrou no passado dia 9 de Junho e ao qual concorreram várias empresas, prova que o processo deve ser aberto, pois existe interesse no mercado de trabalho (demonstrando ter profissionais preparados, mas tratados como “figurantes” no artigo), e na administração, a obrigatoriedade de dar total transparência nos actos que pratica.

9. Nesta linha de actuação, este ano as equipas GAUF vão ser constituídas por

elementos especializados e com reconhecida experiência (6 técnicos contratados pelo concurso atrás referido), por técnicos da AFN - no sentido de rentabilizar os recursos da administração pública que possuem experiencia e pela primeira vez, por elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB) da ANPC de modo a internalizar experiência e métodos de trabalho nestas instituições.

10. Não é verdadeira a afirmação “tentativa de suspender a actual regulamentação sobre o uso do fogo técnico (uso do fogo na prevenção e no combate a incêndios florestais)”. Efectivamente a AFN produziu uma nova proposta de regulamento técnico do fogo, visando difundir a prática com respeito pelas necessárias normas de segurança e eliminando uma certa tendência elitista no uso desta técnica e dando mais responsabilidade à ANPC, pelo motivos acima indicados. Esta proposta de regulamento está pronta, foi consensualizada com o MAI e faz naturalmente parte dos dossiers de transição para a nova tutela.

11. O referido apoio assumido pela tutela no reforço em 2 milhões de euros para meios aéreos, visou manter um nível ajustado de resposta de primeira intervenção, que é, como sabem os subscritores do artigo de opinião, chave de sucesso para a diminuição das probabilidades de progressão dos incêndios.

12. Desconhecemos qual a capacidade que os dois subscritores do artigo terão para influenciar a alteração dos princípios que estiveram na base do delineamento do actual PNDFCI. Porque pensamos legítimo que a mudança pode acontecer, estaremos sempre naturalmente atentos a essa possibilidade e também ao fenómeno, de que por vezes, à sombra de legítimos interesses públicos se confundem protagonismos pessoais e interesses privados.

13. Relembro que a discussão em 2005 do actual PNDFCI, deitou por terra uma outra proposta do Instituto Superior de Agronomia, que pretendia para Portugal a criação de uma estrutura especialmente dirigida para os incêndios florestais, libertar os corpos de Bombeiros dessa tarefa, subalternizando-os, dando-lhes um papel menor, complementar e supletivo, desprezando uma das maiores redes de socorro que um país pode dispor. Essa proposta mereceu um redondo não por parte do Governo.

Apesar desse facto o Sr. Francisco Rego entendeu na altura manter-se à frente da DGRF e cumprir o PNDFCI actualmente em vigor e que agora parece criticar….

14. Estamos sempre a tempo de melhorar, mas no nosso dia-a-dia temos a obrigação de garantir a necessária transparência nos processos que dizem respeito à coisa Pública, colocando o interesse do Estado e dos contribuintes à frente de qualquer outro tipo de interesses.”

Amândio Torres

14 de Junho de 2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

Criação da ZIF Lima Vez

Serviço Municipal de Protecção Civil realizou sessão informativa com os Presidentes da Junta do Concelho cuja área se encontra englobada na ZIF

Esta nova ZIF que a AFL pretende criar abrange os concelhos de Ponte de Lima e Arcos de Valdevez, nomeadamente as Freguesias de Aguiã, Arcos de Valdevez (S. Salvador, Arcozelo, Bárrio, Bertindos, Brandara, Cabração, Calheiros, Cendufe, Cepões, Estorãos, Fontão, Guilhadeses, Jolda (Madalena), Jolda (S.Paio), Labruja, Labrujó, Miranda, Monte Redondo, Moreira do Lima, Padreiro (Salvador), Padreiro (Santa Cristina), Parada, Prozelo, Refoios do Lima, Rendufe, rio Cabrão, Rio de Moinhos, Rio Frio, Sá, Santa Comba, Santar, Senharei, Souto, Tabaçô, Távora (Santa Maria), Távora (São Vicente), Vila Fonche e Vilar do Monte.


O Serviço Municipal de Protecção Civil, representado pela técnica Alexandra Nogueira, e a AFL – Associação Florestal do Lima, representada pela coordenadora Elisabete Abreu, reuniram recentemente no Posto Municipal de Informação e Turismo de Arcos de Valdevez com os Presidentes da Junta do concelho abrangidos pela futura ZIF Lima Vez, para uma sessão de esclarecimento e para lhes garantir todo o apoio aquando da sua criação.

A Associação Florestal do Lima (AFL) promove a gestão sustentável e colabora com a formação e informação dos proprietários e produtores florestais.

Esta nova ZIF que a AFL pretende criar abrange os concelho de Ponte de Lima e Arcos de Valdevez e trata-se de uma área territorial contínua e delimitada, constituída maioritariamente por espaços florestais, num total de 23.105 ha.

As ZIF são criadas com o intuito de se ultrapassarem os problemas das pequenas propriedades sem gestão florestal e que não são economicamente rentáveis e para promover uma gestão activa e permanente dos espaços florestais; proteger eficazmente as áreas florestais e os espaços rurais associados; fomentar a recuperação dos espaços florestais e naturais afectados por incêndios; dar coerência territorial e eficácia aos diferentes instrumentos de ordenamento e á acção de todos os que intervêm no espaço florestal, bem como reduzir as condições de ignição e de propagação de incêndios.

Para aderir à ZIF basta ser proprietário ou produtor florestal e contactar a AFL para, com o apoio de um técnico, preencher a sua ficha de adesão; subscrever o requerimento; identificar os prédios rústicos onde é proprietário ou arrendatário.

O proprietário florestal que tenha propriedades nas Freguesias abrangidas pela futura ZIF Lima Vez poderá aderir à mesma, obtendo assim uma garantia de assistência técnica sem perder qualquer dos direitos como proprietário.

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