sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Intenções de 2008 para a Floresta Portuguesa - VALE A PENA LEMBRAR

Medida apresentada segundo o Plano Nacional de Prevenção Estrutural
O sector das florestas vai receber 188,75 milhões de euros nos próximos dois anos

Por Lusa
22.10.2008

O Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas vai investir nos próximos dois anos 188,75 milhões de euros no sector da floresta. A medida foi hoje apresentada segundo o Plano Nacional de Prevenção Estrutural (PNPE).

O montante vai ser investido na defesa da floresta através da criação de um dispositivo integrado. Vai haver o reforço de equipas que trabalham no terreno, como os GAUF (Grupo de Análise do Uso do Fogo), GeFoCo (Grupo de Especialistas de Fogo Controlado), os Sapadores Florestais e outros agentes, como as forças armadas.

Segundo o PNPE, no final do próximo biénio, 2009-2010, o dispositivo de defesa das florestas terá um total de 2180 elementos. O plano prevê também "reforçar o papel dos governos civis e dos municípios" com a criação de comissões distritais de defesa da floresta, os planos distritais integrados e o surgimento em todas as autarquias de planos municipais da floresta contra incêndios.

Estão destinados para as autarquias 7,8 milhões de euros para o ano, o montante vai aumentar gradualmente, chegando aos 8,3 milhões de euros em 2012.

Alargamento da área florestal protegida

No âmbito do programa vão ser ainda realizadas acções de sensibilização à população, que têm como público-alvo o universo dos portugueses, as escolas e públicos específicos como agricultores, proprietários e associações florestais.

O acordo de parceria com o movimento ECO (Empresas Contra os Fogos) será também reforçado.
O programa estabelece metas e pretende, até 2010, gerir 27 mil hectares de matas públicas, planear 500 mil hectares da área florestal e integrar 500 mil hectares de território em Zona de Intervenção Florestal (ZIF).

No âmbito da defesa dos territórios florestais vão ser geridos 25 mil novos hectares, dos quais três mil com fogo controlado, beneficiados 12 mil quilómetros de caminhos e valorizados 600 pontos de água.
No próximo ano deverão estar defendidos 600 mil hectares de espaços florestais, valor que subirá para 750 mil em 2010.

No final da apresentação, o ministro da Agricultura, Jaime Silva disse aos jornalistas que por agora só estão disponíveis os 188,75 milhões de euros. Mas, se existirem mais candidaturas, Portugal "negociará com Bruxelas para disponibilizar mais dinheiro".

"Na parte dos investimentos florestais já começamos a abrir concursos das candidaturas, nas quais está disponível determinada quantia, que será aumentada se tivermos maior aderência", afirmou.

No próximo biénio o Fundo Florestal Permanente vai ter um "novo impulso" ao ser apoiado com 31 milhões de euros. Segundo Jaime Silva, o investimento que vai ser feito nos próximos dois anos será fundamental para se dar "um salto qualitativo na gestão activa da floresta".

O Plano de Prevenção Estrutural da Floresta vai receber, até 2013/2015, um investimento público de 468 milhões de euros, sustentados no PRODER, Plano de Desenvolvimento Rural em execução.

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COMO É BOM RECORDAR OS VELHOS TEMPOS!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Floresta portuguesa ardeu mais do que em 2009

Alfredo Maia in Jornal de Noticias de 20/10/2010



A floresta portuguesa ardeu este ano, até ao dia 15 de Outubro, mais 54,5% do que no ano passado, embora o número de ocorrências tenha sido inferior em 12,8%, sendo o quarto em área ardida desde 2000, com 128.842 hectares (87% da média dos dez anos anteriores).


De acordo com o último relatório provisório de incêndios florestais da Autoridade Florestal Nacional (AFN), entre 30 de Setembro e 15 de Outubro, registaram-se 115 ocorrências, responsáveis por 1578 ha de área ardida, a maior parte da qual (1.463 ha) em matos. Numa quinzena, ardeu assim mais do que em todo o mês de Maio (1093 ha) e mais do dobro do que no de Junho (743 ha), apesar do desagravamento das condições meteorológicas do risco de incêndio.
Os dados coligidos de ocorrências entre 1 de Janeiro e 15 de Outubro permitem concluir que arderam 128.842 ha, mais 45.468 (54,5%) do que no período homólogo do ano passado, sendo o quarto mais grave. O primeiro foi 2003, com 425.657 ha, seguindo-se o de 2005, com 337.766 ha, e o de 2000, com 159.134. Este retrato muda de gravidade para pior se tivermos em conta que, em número de ocorrências, 2010 foi o sétimo ano com maior número de registos (21.424).

Ainda de acordo com o relatório provisório da AFN, do total da área ardida, 43.549 ha (34%) correspondem a povoamentos (geralmente pinhais e eucaliptais), sendo o quinto ano mais severo para esta forma de ocupação do solo florestal. Aquele em que a área de povoamento ardida foi maior foi o de 2003, com 286.030 ha queimado.
Por distritos, verifica-se que o Porto continua a comandar o número de ocorrências (5879), mas que na maioria se referem a fogachos (área queimada inferior a um hectare), mas mesmo assim é o segundo do ranking dos registos nos incêndios, com 565. Viana do Castelo comanda a lista com 723 incêndios, embora esteja em quinto em número total de ocorrências (2073), mas é o segundo em área ardida (24.170 ha), pouco distanciado da Guarda.
Esse distrito regista não só a maior área ardida, com 24.284 ha, mas também um significativo poder destrutivo dos fogos, pois registou "apenas" 505 ocorrências, o que corresponde a uma média de 48 ha por deflagração. A Guarda foi, aliás, o distrito onde se registou a maior área de povoamentos ardida (8.169 ha), seguido de Vila Real (6469 ha), Viana do Castelo (6.364 ha) e, em quarto lugar, Viseu (5.283), embora a ordem de área total seja diferente. Viseu está em terceiro lugar, com 18.571 ha, mas foi ali que se registou o maior dos incêndios de todos: 5. 066 ha no município de S. Pedro do Sul.


De acordo com os dados da AFN, os 182 grandes incêndios (áreas superiores a 100 ha) foram responsáveis por 99.708 ha, ou seja, cerca de 77% de toda a área ardida. Os distritos no comando da lista são Viana do Castelo (40), seguido de Vila Real (25) e Viseu (22), onde ocorreram os três únicos grandes incêndios da última quinzena (concelho de Castro Daire).

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

II Jornadas Micológicas do Corno de Bico

As II Jornadas Micológicas do Corno de Bico, realizar-se-ão de 6 a 7 de Novembro de 2010, em Paredes de Coura, nesta segunda edição, subordinadas ao tema: "Os Cogumelos, Produção, Utilizações e Gastronomia".

Com a organização deste evento, que contará com a presença de especialistas, investigadores e produtores na área da Micologia, pretende-se genericamente promover os recursos turísticos, as paisagens e o património natural do concelho de Paredes de Coura e da Paisagem Protegida do Corno de Bico, bem como promover o potencial dos cogumelos, quer em termos gastronómicos, quer para outras utilizações e mostrar aos participantes a viabilidade do sector em termos produtivos nas mais variadas áreas que envolvem a micologia.

Serão propostas aos participantes actividades diversas como comunicações subordinadas ao tema das jornadas, percursos micológicos, oficinas de identificação e catalogação de espécies, exposição viva das espécies presentes na Paisagem Protegida do Corno de Bico, oficina de produção caseira de cogumelos e de gastronomia micológica. Estas II Jornadas culminarão com um almoço convívio de encerramento no qual os cogumelos serão reis à mesa.
Neste Certame será igualmente realizada uma oficina de Gastronomia Micológica, intitulada “Cardápio Micológico de Paredes de Coura”.
Esta actividade é dirigida exclusivamente aos restaurantes do concelho e tem como objectivo proporcionar aos participantes alguns conhecimentos ao nível da gastronomia micológica, entendida como factor de diferenciação, para que aqueles possam apresentar regularmente nos seus cardápios pratos confeccionados à base de cogumelos.
Com um vasto programa todos os interessados poderão participar em todas as actividades.

Para mais informações os interessados poderão consultar o portal do Município de Paredes de Coura, em www.cm-paredes-coura.pt.

Para o esclarecimento de dúvidas poderão contactar a organização do evento pelo e-mail: jornadasmicologicas@cm-paredes-coura.pt ou pelo telefone: 251 780 162.

Conferência sobre o Software Livre na Administração Pública

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Risco Meteorológico de Incêndio - Setembro 2010

O mês de Setembro apresentou, em termos de risco meteorológio de incêndio, um valor médio superior aos anos de 2006 e 2008 e inferior ao registado em 2009, quando comparado com o mesmo período homólogo. Em Setembro de 2010, o concelho onde ocorreram mais dias na classe mais alta foi o de Moimenta da Beira, no Distrito de Viseu, onde se verificaram 9 dias com risco médio no nível máximo.

Em termos de FWI, o valor registado em Setembro foi o 5º mais elevado, tendo ficado muito próximo do verificado em 2003.

2010-10-13, Instituto de Meteorologia

Curso de Formação/Credenciação em Fogo Controlado


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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Incêndios 2010 (Greenpeace)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Há áreas em Portugal que já arderam catorze vezes em três décadas

in Público 20.09.2010 - Por Ana Fernandes




Não são mais que imberbes rebentos. Arderam há três anos mas já estão a ser pasto de chamas novamente. São muitas as áreas no país que ardem e voltam a arder num curto período de tempo, o que indica que ali há dedo dos pastores. Daí que alguns critiquem a recente decisão do Governo de pagar a alimentação do gado que perdeu o seu pasto nos incêndios. "É um incentivo para que continuem as queimadas", afirmam. "Não vamos deixar morrer os animais", responde o ministério.



A relação entre a pastorícia e os incêndios em determinadas áreas - caso da regiões em volta de Castro Daire/Marco de Canaveses ou em redor de Mangualde/Gouveia, para dar alguns exemplos - fica clara quando se olha para a quantidade de vezes que uma mesma zona ardeu nas últimas três décadas. A equipa de José Miguel Cardoso Pereira, do Instituto Superior de Agronomia (ISA), fez este levantamento. E detectou inúmeros matos que insistem em pegar fogo amiúde, contra todas as probabilidades."A recorrência de fogo é tão grande em determinadas áreas que pode dizer-se que são seguramente zonas tradicionais de pastorícia", diz Cardoso Pereira. Com dados disponíveis para 34 anos - de 1975 a 2008 -, a equipa do ISA mapeou as áreas ardidas, constatando que há zonas que, neste período de tempo, já arderam 14 vezes.


"Efeitos muito perversos"


Em condições normais, segundo os estudos de Cardoso Pereira, uma área está pronta para arder ao fim de cinco anos depois de ter sido consumida pelas chamas. Ou seja, se uma mesma área registou incêndios mais de seis vezes nestes 34 anos, pode dizer-se que há uma enorme probabilidade de ali terem sido feitas queimadas para renovação das pastagens. Que muitas vezes se descontrolam.


O uso do fogo na renovação das pastagens é ancestral. É a forma mais barata de o fazer, tanto mais que muitas vezes é feito em áreas marginais, onde roçar o mato é difícil ou nem sequer compensa. Porém, as queimadas estão proibidas na época dos fogos. Mas continuam a ser feitas.Aliás, olhando para os relatórios dos incêndios deste ano, a GNR identifica claramente as queimadas como uma das causas mais frequentes dos fogos. A Polícia Judiciária tem também anunciado a detenção de pastores como alegados incendiários. Rui Almeida, responsável pela Directoria do Centro da PJ, adianta que, dos 36 detidos este ano, dois são pastores e sete indicaram ser agricultores.


Esta relação próxima entre a pastorícia e os incêndios leva muitos a considerar "um risco" a decisão do Ministério da Agricultura de final de Agosto de estabelecer uma ajuda de emergência à alimentação animal "com vista a compensar as perdas ocorridas nas áreas de pastoreio ardidas" nesta época de incêndios - que só termina no próximo dia 15 de Outubro. No caso das ovelhas e cabras, está previsto um valor de 40 euros por cabeça e, no caso do gado bovino, a ajuda sobe para os 100 euros por animal.


"A medida pode ter efeitos muito perversos", diz Carlos Aguiar, da Escola Superior Agrária de Bragança, especialista em pastagens. "Os pastos de Verão são de baixo valor alimentar, estão secos, o que em si agrava o risco de esta medida incentivar ainda mais o uso do fogo para a renovação das pastagens", acrescenta.


"Abre um precedente complicado, pois, se as pessoas perceberem que se arderem os pastos recebem apoios para a alimentação animal, serão incentivadas a continuar a fazê-lo", diz Henrique Pereira dos Santos, arquitecto paisagista. "É uma medida que incentiva as pessoas a gerir o território de forma absurda", acrescenta.


"Não apoiávamos os agricultores e deixávamos morrer os animais?" contrapõe o Ministério da Agricultura. "Era nossa missão ajudar, porque corríamos o risco de, daqui a um mês, se falar de uma grande mortandade".


"É uma medida justa, é preciso ajudar os agricultores que ficaram sem pastagens, mas tem de ser bem controlada para não beneficiar ninguém indevidamente", argumenta por seu lado Paulo Rogério, da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela. Se a acha perigosa? "Talvez pudesse vir a ser se não fosse só para este ano, mas como é uma medida que não vai ficar, decidida já depois dos incêndios, não me parece que seja vista como um incentivo", acrescenta.


Enquadrar a pastorícia


Com ou sem incentivos, o certo é que esta prática continua, com as consequências que se conhecem. Têm sido detidos alguns pastores mas a repressão também pode ser contraproducente, empurrando-os para a clandestinidade. Que se traduz num aumento das ignições na calada da noite.


"Tem de se investir no enquadramento técnico da pastorícia", defende Cardoso Pereira. Já hoje, os membros do Grupo de Análise e Uso do Fogo dão apoio a alguns pastores para fazerem queimadas em segurança. Mas são ainda uma minoria."Os pastores produzem riqueza e devem ser acarinhados. Muitas vezes o problema está em não terem acesso à terra, o que os obriga a fazerem pastoreio de percurso, renovando, através do fogo, as pastagens de que necessitam", diz Carlos Aguiar, lembrando a quantidade de terra que o país tem devoluta, sem que quem dela necessita lhe possa aceder. A criação de um banco de terras, tão exigida por muitos e várias vezes prometida, continua a não passar disso mesmo: uma promessa.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Distritos do Noroeste ardem mais que o resto do país

in Jornal Noticias 31/08/2010

Proporção de área ardida é muito maior no Porto, Braga e Viana do Castelo


Os distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo ardem mais vezes e registam uma maior proporção de área ardida do que o resto do país. Em 19 anos, ardeu o equivalente a quase um terço do território do Noroeste. No país, a proporção de área ardida equivale a um quinto.


O Noroeste de Portugal é a região onde ocorre o maior número de incêndios em Portugal. Analisados os números, verifica-se que é nos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo que se situam 43% das ocorrências registadas em Portugal Continental. Se a análise incidir sobre o total de área ardida, a realidade é um pouco menos sombria, mas ainda assim preocupante: 15% da área ardida entre 1990 e 2008 localizavam-se nestes três distritos.


Dados revelados num trabalho académico realizado por Flora Ferreira Leite, uma investigadora no Núcleo de Investigação em Geografia e Planeamento da Universidade do Minho (UM), que tem por base os dados da Autoridade Florestal Nacional ao longo de 19 anos.


Comparativamente, no Noroeste a área ardida durante aquele período foi a equivalente a 28,3% (quase um terço) do território, enquanto a média do país corresponde a 19,6% (cerca de um quinto).


Para além de haver mais incêndios e da proporção de área ardida ser maior, foi também nos três distritos do Noroeste que se verificaram os fogos mais intensos e destrutivos. Uma ínfima parte daqueles incêndios ocorridos nos três distritos foram responsáveis por metade da área ardida nos 19 anos estudados pela investigadora. "No Noroeste, há muitos incêndios, mas 99,7% deles são pequenas ocorrências. Os restantes 0,24% foram os responsáveis por 49,7% da área queimada", referiu a investigadora Flora Ferreira Leite.


Os grandes fogos, como o de Carralcova, em Arcos de Valdevez, consomem a floresta durante dez a doze dias. "Em Carralcova, em 1996, as chamas começaram a um domingo, dia 6 de Agosto, percorreram cinco freguesias, e só terminaram na quinta-feira seguinte, dia 17 de Agosto, porque choveu", salientou a especialista em fogos florestais.

Em Portugal, os fogos começam ao domingo e sobretudo no mês de Agosto. "Os meses de Julho (16,7%), Agosto (38,6%) e Setembro (21,6%) são aqueles em que se registam mais incêndios. Mas também há um pequeno pico de 6,11% no mês de Março, por causa das queimadas agrícolas que se transformam em fogos", refere Flora Ferreira Leite. Quanto aos dias da semana, 13% dos incêndios começam à sexta-feira, 15% ao sábado, atingindo o pico de 18% ao domingo.

"Há uma ausência de gestão florestal a que se junta o êxodo rural e algumas tradições, como as queimadas, para fertilizar o solo", explica a investigadora, adiantando que cerca de 90% dos fogos têm origem criminosa.

domingo, 5 de setembro de 2010

Chuvas torrenciais podem "matar" solos florestais

Por Alfredo Maia, Jornal de Notícias


Técnicos da Autoridade Florestal Nacional estão a fazer o levantamento das necessidades de medidas de emergência para a erosão causada pelos incêndios, mas muito solo pode perder-se com as chuvadas repentinas e intensas se não forem atacadas já.

“Tenho estado no terreno e verifico que já há medidas em desenvolvimento no imediato”, garantiu ao JN o director nacional de Defesa da Floresta da Autoridade Florestal Nacional (AFN), Paulo Mateus.

Em S. Pedro do Sul, onde três grandes incêndios consumiram 4500 hectares, “já estava a ser retirado o material lenhoso ardido e a deixar material nos declives para que não haja escorrimentos”, exemplificou.

No levantamento das necessidades, os técnicos das direcções distritais que têm informação sobre a grandeza dos fogos, o tipo de solo, o seu declive e outras variáveis, estão a elaborar relatórios sobre as situações mais críticas.

Limpeza e desobstrução de linhas de água, sementeira de plantas herbáceas de emergência (sem esperar pela sua regeneração natural) e aplicação de resíduos orgânicos (troncos e ramos de árvores), formando barreiras contra o arrastamento de solo pelas chuvas, são algumas medidas recomendadas.

Os relatórios deverão estar fechados até ao dia 30 de Outubro, sendo aberto um período de candidaturas ao financiamento integral pelo Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER), mas ainda é cedo para fazer um balanço. Os trabalhos ainda decorrem e ainda se prevêem mais incêndios.

Entretanto, muitos locais já foram atingidos por chuvas torrenciais – Seia e Chaves são dois exemplos – e já se perdeu muito solo, especialmente em zonas declivosas… “É uma contingência”, reconhece Paulo Mateus, considerando que o problema depende de várias condições e que “não vale a pena criar grande alarmismo, pois há sempre capacidade para recuperar”.

A capacidade de recuperação pode, porém, medir-se numa escala de tempo muito larga. Há situações em que o solo vai necessitar de mil ou dois mil anos para recuperar a sua fertilidade, pois foi arrastada pela água a sua camada vegetal e os nutrientes e o material fino, explica o agrónomo Eugénio Sequeira, especialista em erosão do Instituto Superior de Agronomia.

“Só com a primeira chuvada, pode perder-se 15 ou 30 toneladas de solo por hectare”, alerta.

O problema não é apenas físico, como pode parecer à primeira vista, pois os incêndios causam uma forma de erosão invisível, mas muito prejudicial – a erosão química: os nutrientes que estavam nas plantas e na folhada no solo e até no húmus, dependendo da intensidade e tipo de fogo, são dissolvidos e arrastados pela água.

E esta corre rapidamente pela vertente, se não houver plantas que a retenham. “E lá se vai a fertilidade!”, nota Eugénio Sequeira, lembrando que um pinhal com 40 anos pode precisar de mais de 60 para recuperar.

Jornal de Notícias, 05-09-2010

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